Desafios na volta às aulas presenciais

Claudio Considera

02 de agosto de 2021 | 10h04

As aulas presenciais no ensino público estão sendo retomadas em praticamente todo o Brasil, algumas híbridas com remotas. No Sul e no Sudeste do Brasil, esse retorno vinha ocorrendo havia mais tempo. A primeira questão que se sobressai é não haver uma unicidade dentre os entes da federação para esta retomada.

Outro aspecto muito relevante é que a defasagem acumulada em quase um ano e meio de pandemia tem atingido crianças e adolescentes de maneira diversa. Os de maior renda familiar – minoria neste país tão desigual – contaram sempre com bom acesso à banda larga, notebooks, tablets e smartphones. E, o que ainda é um luxo por aqui, espaços confortáveis, com mesa, cadeira e iluminação para estudar.

Além disso, há que perguntar se todos os estados e municípios tiveram igual rigor na adoção de medidas para proteger os alunos – pois a vacinação deve ter chegado a professores e demais profissionais atuantes nas escolas.

Que medidas pedagógicas serão utilizadas para recuperar o tempo perdido? Como lidarão com os danos psicológicos provocados pelo período em que os alunos só conviveram com os pais, também tensos com a pandemia de coronavírus, o desemprego, a redução de renda e o temor de contrair a doença?

Além disso, enquanto presidente, ministros e congressistas discutem política partidária e lutam pelo poder, o desemprego atinge quase 15 milhões de pessoas no trimestre. Em São Paulo, estado mais rico do Brasil, a proporção de pais com filhos matriculados na rede particular caiu de 22% para 13%.

Saúde e educação públicas estão longe de ser prioridades e de receber investimentos adequados, muito menos gestão avançada. Esse retorno às aulas, portanto, vai expor ainda mais desatinos de um país que, nos últimos anos, tem caminhado velozmente para trás.

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