Diesel desafia redução do ICMS

Claudio Considera

18 de julho de 2022 | 09h25

Gasolina comum com preços de setembro de 2021, devido à redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), alivia o bolso do consumidor? Certamente que sim.
Mas quando Bolsonaro assumiu em janeiro de 2019 o preço médio do diesel era R$ 3,437 e o da gasolina R$ 4,268. Hoje o preço médio do diesel é R$ 7,48 e o da gasolina R$ 6,07. Ele se vangloria de ter baixado agora os preços que ele mesmo aumentou.


Por que os preços dos alimentos não caíram na mesma medida da redução dos combustíveis de agora?
Porque o diesel, combustível utilizado nos caminhões que transportam grande parte dos produtos no Brasil, tem ficado, na melhor da hipóteses, alguns centavos mais barato, em ritmo muito mais lento do que a gasolina.
Por que o teto de 17% para o ICMS teve pouco ou nenhum impacto no preço do óleo diesel até agora? Porque quem compra gasolina é o consumidor de classe média. Se os preços estiverem muito elevados, ele sai menos de carro. O caminhoneiro, porém, não tem opção: ou paga o preço cobrado pelos postos, ou não trabalha.

Além disso, há escassez de diesel em todo o mundo, devido à invasão da Ucrânia pela Rússia – que provocou sanções aos produtos russos, como petróleo –, e às quarentenas em 2019 e 2021, consequências da pandemia de coronavírus, que levaram as refinarias a reduzir a produção de óleo diesel.
Ao consumidor só resta economizar, economizar e economizar, para não se endividar.

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