Financiar faculdade requer cautela

Financiamento privado é alternativa ao Fies, mas juros são mais altos e é preciso ficar atento às condições

Economia & Negócios

23 de novembro de 2015 | 13h29

Não foi um ano fácil para estudantes que dependiam do Programa de Financiamento Estudantil do governo, o Fies, para cursar universidades particulares. Com o corte de recursos pelo governo, houve estudante que só não perdeu o ano letivo porque conseguiu financiamento privado, mas logicamente com juros bem mais salgados.

Para 2016, no entanto, essa pode ser um alternativa arriscada. Em período de recessão, desemprego crescente, chegando aos dois dígitos, quem não tem dinheiro para pagar do próprio bolso a faculdade precisa ter cautela ao recorrer ao financiamento privado.

Educação sempre deve ser prioridade, mas acima de tudo é preciso avaliar bem as condições para pagar essa dívida. Afinal, “Pátria educadora” não é nada além de um slogan publicitário do governo.

Ao contrário do Fies – que oferece juros baixos -, no financiamento privado o estudante tem de pagar pelo menos metade do valor da mensalidade e os juros durante o curso, e o restante deve ser saldado nos anos seguintes após a formatura, em período equivalente à duração dos estudos.

Quem fatura com essa situação são as empresas de crédito privado, cujo crescimento este ano foi de seis vezes em relação ano passado, e que esperam manter a alta no ano que vem.

Ao contratar um financiamento estudantil leia cuidadosamente as regras do contrato, prestando atenção nas diferentes fases: taxa de amortização, prazo de carência para iniciar o pagamento, juros, Custo Efetivo Total (CET) e penalidades para eventuais atrasos. E lembre-se de que as mensalidades são reajustadas acima da inflação pelas universidades todos os anos, o que estimula ainda mais o crescimento da dívida. Não se esqueça de que depois de formado, você vai precisar conseguir um emprego logo para arcar com os custos do financiamento.

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