Fique de olho no rótulo

Produtos dentro do prazo da validade ainda podem ser vendidos mesmo sem o alerta para alérgicos

Economia & Negócios

04 Julho 2016 | 11h13

Na fase inicial da nova rotulagem de alerta aos alérgicos nos alimentos industrializados, os consumidores precisam ficar atentos, pois vão estar lado a lado nas prateleiras produtos até da mesma marca que podem não seguir as novas regras. Isso porque os que estão dentro do prazo de validade e foram produzidos antes do dia 3 de julho ainda poderão ser comercializados.

Constatei essa situação verificando no supermercado embalagens de achocolatados, cereais matinais, macarrão, entre outros. Em alguns aparecia o aviso: “Alérgicos: Contém (nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares)”, mas em outros com lote de fabricação mais antiga nada era informado. E olha que a indústria teve um ano para se adaptar.

Os rótulos precisam informar agora a existência ou até traços de 17 tipos de alimentos que podem provocar alergias: trigo (centeio, cevada, aveia e suas estirpes hibridizadas); crustáceos; ovos; peixes; amendoim; soja; leite de todos os mamíferos; amêndoa; avelã; castanha de caju; castanha do Pará; macadâmia; nozes; pecã; pistaches; pinoli; castanhas, além de látex natural.

Com isso, os derivados desses produtos devem trazer a informação, “Alérgicos: Contém derivados de (nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares)” ou “Alérgicos: Contém (nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares) e derivados”.

Já nos casos em que não for possível garantir a ausência de contaminação cruzada dos alimentos (que é a presença de qualquer alérgeno alimentar não adicionado intencionalmente, como no caso de produção ou manipulação), o rótulo deve constar a declaração “Alérgicos: Pode conter (nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares)”.

Essas advertências, segundo a norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), devem estar agrupadas imediatamente após ou logo abaixo da lista de ingredientes e com caracteres legíveis, em caixa alta, negrito e cor contrastante com o fundo do rótulo.

Esta regulamentação foi a prova da importância da mobilização da sociedade em busca de seus direitos, como fez o grupo de mães que criou a campanha ‘Põe no Rótulo”. Antes os pais de crianças alérgicas se obrigavam a consultar os serviços de atendimento ao cliente, bem como a compartilhar informações com grupos de alérgicos, para checar se determinado alimento ou bebida oferecia algum risco à saúde dos filhos ou de seus familiares e amigos.

Há quase dois anos, a PROTESTE e a equipe da campanha “Põe no Rótulo” se uniram para trazer mais esclarecimentos ao consumidor sobre o tema, por meio de uma cartilha. A publicação online, que teve apoio da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), está disponível nos sites da PROTESTE e Põe no Rótulo.