Nada a comemorar

Claudio Considera

08 de março de 2021 | 08h15

No próximo dia 15 é comemorado o Dia Mundial do Consumidor. Inúmeras promoções de produtos surgirão nos sites, várias delas enganosas. E temos que tomar cuidado com isso. Muitas dessas ofertas verdadeiras serão rejeitadas, pois o consumidor consciente ficará em casa obedecendo às normas sanitárias dos seus estados para evitar a propagação da pandemia.

Entretanto, a maior propaganda enganosa tem sido praticada pelo governo, com a oferta de produtos pretensamente eficazes para evitar e até mesmo combater o coronavírus, como é o caso da cloroquina que sobra em algum porão da esplanada; ou mesmo do vermífugo Ivermectina, ambos indicados como tratamentos precoces da doença.

Outro engano tem sido o calendário de vacinação quando de fato falta vacina para cumpri-lo e, se vacina houvesse, seria constatada a falta de seringas para aplicá-la. Ou seja, falta a vacina e sobra o engodo. E, o resultado disso tem sido uma alta expressiva do número de contagiados e de mortos, atualmente chegando à casa dos 2.000 diários com previsões de até 3.000 mortos diariamente.

É um triste vaticínio. E, isso é o resultado do descaso e deboche de nossas autoridades no enfrentamento da pandemia. Desestimulam-se o distanciamento social e o uso de máscaras, meios comprovados de redução do contágio. Adicionalmente critica-se os governantes estaduais e municipais que adotam o lockdown.

Paralelamente a esse desastre sanitário, temos os desastres econômico e social. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020 caiu 4,1%. Comparando com as 30 maiores economias do mundo, que representam 85% do PIB mundial, somente três países devem ter apresentado um crescimento positivo do PIB no ano passado (Turquia, China e Egito).

O Brasil ficou exatamente no meio desses 30 países, com 14 países com quedas projetadas do PIB maiores do que do Brasil. As projeções de crescimento para esses 30 países são bem positivas, principalmente para aqueles que fizeram uma correta política sanitária com seus líderes na linha de frente de políticas sanitárias eficientes.

O Brasil também tem projeção auspiciosa para o PIB de 2021, mas inferior à queda sofrida. Essa previsão, entretanto, está ameaçada perante o recrudescimento da pandemia e a continuidade do descaso de nossas autoridades e frente à falta de vacina.

Um dos principais componentes do PIB é justamente o consumo das famílias, que se reduziu em 5,5% em 2020. Ao examinarmos os componentes do consumo verificamos que a maior queda foi de bens semiduráveis (-18,7%) que agrupa vestuário e calçados cuja aquisição é normalmente realizada em shoppings centers. Declínio forte também ocorreu nos serviços, que representam cerca de 50% do consumo das famílias.

Os serviços tais como comercio, transportes, hotelaria, alimentação em restaurantes e bares foram bastante prejudicados pela necessidade do isolamento social, que só deverá ser suspenso com a imunização da maior parte da população.

Vale frisar que o auxílio emergencial, que beneficiou quase 70 milhões de brasileiros no ano passado, teve um forte impacto na economia brasileira. Sem esse benefício a queda do PIB seria maior do que o dado efetivo. E esse auxílio beneficiou aos mais necessitados o que garantiu o consumo de bens não duráveis – alimentação e outros produtos vendidos em supermercados.

Podemos concluir que um governo responsável deveria focar em medidas sanitárias eficientes para evitar ou reduzir o contágio, vacinar a maior parte da população e garantir um auxílio emergencial para reduzir as agruras dos mais necessitados. E, isso sem deixar de garantir às empresas os recursos para a manutenção dos empregos.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.