O consumo das famílias e o V da Vacina

Claudio Considera

01 de novembro de 2021 | 08h26


O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas – FGV IBRE – divulgou, por meio, do Monitor do PIB FGV, em 19 de outubro último, que o PIB (Produto Interno Bruto), na taxa acumulada em 12 meses, apresentou crescimento de 3,6%, o que representa um ganho de 0,5 ponto percentual em relação a esta taxa em agosto de 2020, que foi de -3,1%. Ou seja, no acumulado de 12 meses de setembro de 2020 a agosto de 2021, houve um crescimento pífio de 0,5% frente à perda de setembro/2019 a agosto/2020.

Sem  crescimento em V(Foto: Bankrate)


O resultado do ano não será muito diferente deste. Das 12 atividades econômicas computadas, quatro delas do setor de serviços aparecem com as maiores com taxas negativas durante os 12 meses mencionados. São elas: Outros Serviços, que compreende alimentação fora da residência, serviços de hotelaria, e serviços prestados a famílias e empresas, cuja taxa de 12 meses em fevereiro de 2021 foi 13,3%; Transportes, que abrange transportes em qualquer modal, de carga ou passageiros, com – 9,4%; Comércio, abrangendo atacado e varejo, com -3,3%; e Administração Pública, com -5,3%, as mais prejudicadas pelo isolamento.

Estas quatro atividades de serviços representam 51% do PIB. E elas necessitam que haja interação entre as pessoas para que funcionem. é impossível imaginar hotéis, restaurantes, bares, transportes de pessoas, comércio e o atendimento do público com o isolamento social necessário para lidar com a pandemia, para evitá-la ou reduzir sua incidência. Ressalte-se que estas quatro atividades são basicamente destinadas ao consumo das famílias.

Esses resultados coincidem com a melhora do consumo das famílias. Ele cresceu, no acumulado de 12 meses em julho e agosto, depois de mais de um ano de retrações. O consumo das famílias representa 65% do PIB, e sem isso a economia não voltaria a se recuperar. Foi graças à recuperação do consumo de serviços, com taxas positivas a partir de abril do corrente, que o consumo das famílias voltou ter taxas de variação positivas. Mas o mais importante que se deve notar, é que o consumo de serviços por parte das famílias veio melhorando à medida que a vacinação aumentou e a taxa de infecção se reduziu.

De fato, em 2021, após 600 mil mortos pela pandemia, verificamos a enorme responsabilidade do governo por não ter assumido a missão de alertar a sociedade para a necessidade de vacinação maciça da população – isso seria não apenas uma política humanitária, mas também sanitária, e de crescimento econômico. Contrariamente, o governo pregou todo o tempo contra a vacina, tendo o presidente da República, recentemente, lido numa live, uma fake news de que a vacina contra o covid-19 poderia causar Aids.

Diferentemente do que o palhaço do Rei (vulgo bobo da corte) se vangloriou, não haverá crescimento em V em 2021, mas uma recuperação para um valor próximo ao da queda de 4,1% em 2020, podendo se chamar de crescimento apenas a pífia diferença entre ambos. O tão festejado V, em nosso entendimento, deveria ser o V da Vacina.

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