Os terríveis custos da Covid-19

Claudio Considera

17 de maio de 2021 | 09h33

As mais de 435 mil mortes pela Covid-19 no Brasil impactam representam terrível sofrimento para milhões de pessoas – familiares, amigos, colegas e vizinhos. Em alguns casos, como o do ator e humorista Paulo Gustavo, pela exposição de sua arte, entristecem praticamente todos os brasileiros.


Estudo que realizei no IBRE da FGV-RJ, a partir dos dados do Portal da Transparência do Registro Civil, aponta outro efeito extremamente negativo: levando em conta a expectativa de vida no País, a parcela dos que tinham entre 20 e 69 anos, deixará de gerar R$ 165,8 bilhões em rendimentos para suas famílias.

Então, além do terrível aspecto emocional, que acompanha a doença e a perda de um ente querido, seus familiares vão lidar com um grande desafio econômico, que, por extensão, também repercutirá no desenvolvimento do Brasil.

E não há como medir o que se deixará de ganhar em termos de inovação, criatividade e de aplicação dos conhecimentos adquiridos ao longo de uma vida. Por exemplo, que grandes letras de músicas poderia ainda fazer o genial compositor Aldir Blanc, morto aos 73 anos?
No final de abril último, sete em cada 10 brasileiros conheciam alguém que morreu de Covid.

São centenas de milhares de crônicas de mortes anunciadas, que poderiam ter sido evitadas, se o governo federal tivesse, desde o início, entendido a gravidade desta pandemia, adotado e indicado distanciamento social e máscara, e comprado as vacinas que nos ofereceram.

Como não o fez, hoje temos um intenso drama pessoal, familiar e coletivo, em termos afetivos e que também compromete o futuro do País.

PS – A projeção de perda financeira citada neste texto compreende a pandemia até o dia 30 de abril último. E, infelizmente, as mortes continuam.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.