Preços das passagens aéreas ameaçam decolar

Claudio Considera

16 de maio de 2019 | 12h37

É muito estranho, para ser elegante, que o governo se some às companhias aéreas na defesa da tese de que a crise da Avianca Brasil aumentará os preços das passagens.

Autoridades deveriam se posicionar contra mais este avanço no bolso do consumidor. Das companhias aéreas, nada a esperar, até porque já aproveitaram os cancelamentos e a queda na oferta de voos para inflar os preços.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deveria regular esta área, e não especular sobre mais concentração no mercado. É óbvio que esta tendência nos ameaça, mas a Anac teria de agir para evitá-la ou minimizá-la. Afinal, dirigentes das companhias aéreas afirmavam que a cobrança do despacho de bagagens teria como efeito benéfico a redução das tarifas.

Isso não ocorreu. Pelo contrário, ficou muito mais caro viajar de avião. Por outro lado, é urgente que o Congresso Nacional aprove a Medida Provisória 863/18, que autoriza até 100% de capital estrangeiro nas empresas do ramo.

Esse mercado precisa, urgentemente, de mais concorrência. Não sei, sinceramente, se isso chegará aos preços das passagens, porque nem sempre medidas positivas melhoram a vida do consumidor.

Mas é o que temos para este momento de economia pré-recessiva, guerra política, reformas em câmera lenta e cidadãos atônitos e assustados com a interminável crise.

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