Saúde à deriva

Ministro da Saúde tem se esmerado tanto em defesa dos planos de saúde que questiono se ele não se equivocou com o nome do ministério que ocupa

Economia & Negócios

11 Julho 2016 | 10h34

Já era sabido que por não ser da área, não era de se esperar muito do ministro da Saúde, Ricardo Barros. Mas ele tem se esmerado tanto em defesa dos planos de saúde que questiono se ele não se equivocou com o nome do ministério que ocupa: não se trata do ‘Ministério dos Planos de Saúde’?

A sociedade e as entidades de defesa do consumidor precisam se mobilizar, pois não se pode barrar conquistas tão duramente obtidas nessa área de saúde suplementar. Tentativa das operadoras de se livrar das multas por má prestação dos serviços foi rechaçada em 2014, quando estava em jogo perdoar R$ 2 bilhões, e agora volta à baila justamente pelo ministro da saúde, o que é inaceitável.

Primeiro ele defendeu que haja a oferta de planos com atendimento restritivo, hoje proibidos pela Lei 9656. Garantir uma lista mínima obrigatória de atendimento pelas operadoras de plano de saúde é fundamental. Depois tachou como abusivas as multas aplicadas aos planos que descumprem a lei.

A tese dele é que os planos mais baratos, aliviariam a demanda ao Sistema Único de saúde. Só esqueceu que, ao não ter atendimento garantido para casos mais graves, será justamente ao SUS que essa população terá de recorrer quando precisar, sobrecarregando ainda mais o sistema público capenga.