Trem no fim do túnel

Claudio Considera

28 de dezembro de 2020 | 11h32

O fim do ano sempre nos provoca reflexões sobre a vida. Neste fechamento das cortinas de 2020, contudo, a vida está tão diferente que uma bola de cristal nos ajudaria a adivinhar como será 2021.

Ainda mais que as heranças da pandemia e da crise econômica que persiste desde 2014 e deixam o cenário mais nublado do que de costume.

Ameaça de crise energética, um dos temores do novo ano. Foto: JF Diório/Estadão


Não é preciso ser um gênio nem um vidente para afirmar que será um ano muito difícil para os cidadãos de classe média. E trágico para dezenas de milhões de brasileiros que sempre foram vulneráveis socialmente.

O fim do auxílio emergencial mostrará, pela primeira vez, o tamanho do buraco cavado pela Covid-19 e pela incompetência governamental, inclusive na (indi) gestão da economia. Nenhuma reforma importante foi concluída.

A vacinação ficou para depois, inclusive de países da América Latina. A educação foi jogada no lixo, e autoridades se revezam para atacar a China, segunda maior economia do mundo, principal destino das exportações brasileiras.

Compramos briga com os principais países do mundo por deixar madeireiras e garimpos ilegais prosperarem, enquanto Amazônia e Pantanal ardem em chamas. Há um aumento generalizado de custo dos insumos, que aos poucos chega aos preços e gera inflação.

E, para complicar mais, ameaça de crise energética, que, segundo Adriano Pires, analista do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), está nas mãos de São Pedro e da vacina. Ou seja, se conseguirmos vacinar parte expressiva da população e a economia reagir, pode faltar energia elétrica.

Mesmo diante disso tudo, continuaremos trabalhando e vivendo nossas vidas da melhor forma possível, com esperança e vontade de acertar. Por isso, desejo a todos e a todas um Feliz Ano-Novo, e que minhas projeções estejam totalmente erradas.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.