A Dotz cai no mundo real

Clayton Netz

26 de abril de 2010 | 14h52

DOTZ

Criada em 2001, logo após o estouro da bolha da internet, a Dotz, de São Paulo, uma das principais empresas de fidelidade do País, atuou nos últimos nove anos basicamente na web. Nesse meio tempo, angariou cerca de 1,5 milhão de usuários em seu sistema, que permite a troca de pontos obtidos na compra de empresas parceiras por produtos e serviços. Às vésperas de completar sua primeira década de existência, a companhia resolveu cair no mundo real, investindo pesadamente no varejo offline. “Na primeira fase, acompanhamos o ritmo de evolução do e-commerce”, diz Roberto Chade, presidente da Dotz. “Agora, queremos transformar a Dotz na segunda moeda de compra do consumidor brasileiro.”

Os planos de Chade são ambiciosos. Sua principal aposta é a popularização do modelo de coalização praticado pela Dotz, que, ao contrário dos programas de milhagem tradicionais, baseados principalmente na oferta de passagens aéreas gratuitas, dá aos consumidores um leque maior de alternativas para utilizar os pontos adquiridos. “Com a nossa moeda, o consumidor utiliza seus pontos onde e quando quiser”, diz. Como pano de fundo dessa estratégia está a emergência de cerca de 30 milhões de consumidores da classe C, que precisam ser fidelizados pelas empresas. “Para esse consumidor, milhas de viagem pouco representam”, afirma.
A Dotz escolheu Belo Horizonte, mercado considerado exigente e difícil, como piloto para testar essa nova fase. “Se for aprovado lá, dá certo em qualquer outro lugar”, diz. Em parceria com 70 empresas, que incluem nomes como Banco do Brasil, Ale Combustíveis, Bob’s e a rede de supermercados Super Nosso, num total de 300 pontos de venda, passou a oferecer seu cartão de fidelidade. O lançamento, em novembro do ano passado, foi precedido de uma campanha de publicidade e promoção que consumiu R$ 10 milhões. Segundo Chade, os resultados iniciais superaram as expectativas: em cinco meses, foram emitidos 250 mil cartões. “Isso representa 30% dos clientes de nossos parceiros que aderiram à fidelização”, afirma.

Para este ano, estão programadas ações semelhantes em Porto Alegre, Rio de Janeiro e numa capital nordestina a ser determinada no segundo semestre. Ao todo, deverão ser investidos US$ 40 milhões em 2010. Boa parte dos recursos virá da canadense Air Miles, maior empresa de fidelidade do mundo, que adquiriu um naco de 29% do capital da Dotz, em 2008. Com o suporte financeiro e a tecnologia do sócio, Chade acredita que a Dotz, que deverá faturar R$ 40 milhões, irá decolar. Esse valor deverá multiplicar-se por cinco, chegando a R$ 200 milhões já em 2011, quando ele espera contar com 20 milhões de usuários. “Depois, o céu é o limite”, afirma.

Tudo o que sabemos sobre:

DotzRoberto Chade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.