A Itautec quer recuperar o tempo perdido

Clayton Netz

27 de maio de 2010 | 19h45

 ITAUTEC

Uma das primeiras missões do executivo Mário Anseloni, ao assumir a presidência da Itautec, no começo de fevereiro, foi embarcar para Miami, nos Estados Unidos. Sua tarefa era decidir o futuro da Tallard, distribuidora de equipamentos da Itautec, cuja venda vinha sendo cogitada antes mesmo de sua contratação. Para quem estava chegando, poderia não ser exatamente uma questão fácil: afinal, a Tallard respondeu por quase 25% da receita líquida de R$ 1,9 bilhão da Itautec no ano passado. Em outras palavras: na prática, a Itautec que estava começando a comandar iria encolher, caso a distribuidora fosse passada adiante. “Mesmo assim, vimos que no médio prazo a Itautec ganharia muito mais caso pegasse o dinheiro da venda e investisse no seu core business”, diz Anseloni. O dinheiro recebido pela Tallard, vendida à americana Avnet por R$ 69 milhões, no início de maio, compõe o grosso do pacote de R$ 100 milhões separado pela Itautec para aplicar no fortalecimento de seus negócios nos próximos três anos.

Recrutado na presidência da Hewllet Packard, Anseloni desembarcou na Itautec com o desafio de sacudir e revitalizar a vetusta fabricante de computadores e de sistemas de automação bancária e comercial, controlada pela Itaúsa. Com 31 anos de estrada, fundada à época da reserva de mercado, a Itautec é um das empresas mais antigas do setor de TI no Brasil. Mas tem andado de lado: embora seja forte na área de automação, já não é mais a líder em vendas. Em computadores, está na quarta ou quinta posição, centrada no mercado corporativo, com participação pouco expressiva em computadores pessoais. Mais: o valor de mercado da Itautec é de apenas R$ 524 milhões, contra R$ 3,8 bilhões da Totvs ou R$ 1, 5 bilhão da Tivit, empresas muito mais recentes no setor.

Para dar conta do desafio de recuperar o tempo perdido, Anseloni está atuando em vários frontes. Um deles é o reforço da estrutura de direção da Itautec, com a contratação de profissionais no mercado, como um CFO e um executivo para a recém-criada diretoria de operações. “Muitos mais virão, sobretudo para fortalecer a equipe de vendas”, diz. Outro fronte é da transformação da cultura da Itautec. “Nosso DNA é fabril”, afirma. “Temos de nos aproximar mais do mercado e nos antecipar às necessidades dos clientes.” Ele mesmo está dando o exemplo: nos primeiros três meses de trabalho, visitou 25 dos principais clientes da Itautec.

Segundo Anseloni, 2010 é o ano de fortalecimento da musculatura da Itautec, o que também passa pela renovação do portfólio de produtos, principalmente nos computadores destinados ao varejo. “Nossa oferta é limitada”, diz. Passada essa fase, a empresa deverá estar preparada, a seu ver, para atingir as metas ambiciosas pactuadas com o Conselho da Itautec. Entre elas, está dobrar o faturamento em três anos e reconquistar posições em computadores. “Queremos estar brigando pela liderança até 2014”, afirma.

Em tempo: graças ao crescimento projetado de 35% nas vendas para este ano, o impacto da venda da Tallard deverá ser superado.

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