A nova receita da Amor aos Pedaços

Clayton Netz

25 de junho de 2010 | 19h00

AMOR

A doceria paulista Amor aos Pedaços passou os últimos quatro anos colocando ordem na casa. Uma das primeiras redes de franquias do País, fundada em 1982, precisou fazer ajustes em sua estrutura de negócios para voltar a crescer. Fechou lojas deficitárias, substituiu franqueados e reformulou a gestão logística. “Quando entramos no setor de franquias, só o McDonald’s adotava o modelo”, diz Ivani Calarezi, fundadora e principal executiva da Amor aos Pedaços. “É o preço do pioneirismo.” Agora, com a retaguarda reorganizada, a Amor aos Pedaços está colocando em prática um ousado plano de expansão. A meta é chegar a todos os Estados brasileiros até o final de 2017, atingindo 160 lojas e triplicando o faturamento, estimado em R$ 62 milhões no ano passado. Atualmente, são 58 endereços, 47 deles em São Paulo. O Nordeste é um dos principais focos da estratégia de descentralização. “Os nordestinos ficaram muito tempo longe do consumo, agora, com renda maior, estão dispostos a experimentar novidades”, diz Ivani.

Para atingir o objetivo, a rede reviu as principais estratégias que envolvem o negócio. Começou retomando o controle da produção dos quitutes que expõe nas vitrines de suas lojas, que voltaram a sair exclusivamente da fábrica da Vila Olímpia, em São Paulo. Há 15 anos, Ivani dividira a produção com dois master franqueados, um do Rio de Janeiro e outro de Curitiba, também responsáveis pela escolha dos franqueados da rede nas respectivas regiões. “Manter a fábrica longe do nosso controle de qualidade não deu certo”, admite Ivani. Ela, então, resolveu acabar com as operações das duas fábricas e dos franqueados locais, reduzindo o número de lojas de 40 para 30 unidades. Agora, todos os franqueados são abastecidos pela fábrica de São Paulo.

O transporte dos alimentos foi outro desafio para a rede. Para manter a qualidade e o aspecto dos produtos impecáveis no destino – às vezes, locais distantes como São Luiz do Maranhão– a empresa contratou uma nova transportadora, que oferece veículos com refrigeração trifásica, capazes de conservar alimentos congelados, resfriados e secos ao mesmo tempo. Segundo Ivani, o custo de uma rede de docerias é muito alto. Além da logística complexa, o quadro de funcionários da empresa (são 145 no total) requer profissionais especializados, como engenheiros de alimentos e nutricionistas, que visitam fornecedores e até viajam nos caminhões que transportam os produtos para outros Estados.

Outro investimento previsto no plano de expansão da Amor aos Pedaços é a transferência da atual fábrica para uma cidade próxima à capital paulista. A estreita rua do bairro paulistano onde está instalada não comporta mais o tráfego de caminhões no local nem o aumento das encomendas.

Criadora de receitas famosas, como as tortas de mouse e de brigadeiro, além do bicho de pé (um brigadeiro de morango, patenteado por ela) – que junto com outras iguarias, como o brigadeiro de colher, pavê de chocolate e cocadinha, respondem por 80% das vendas da rede – Ivani decidiu tomar as rédeas da expansão da rede. “Agora eu é que vou dar a palavra final sobre a escolha dos novos franqueados”, afirma Ivani.

Os candidatos deverão investir R$ 310 mil para operar uma loja, que fatura, em média, R$ 90 mil por mês. Além disso, pagam uma taxa de propaganda de 7% sobre o faturamento, mais 6% de royalties sobre o valor dos produtos adquiridos da fábrica. “Mas a principal qualidade exigida de um candidato a franqueado é gostar de comércio e de doces, é claro”, diz Ivani.

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