Briga milonária separa Petropar do Itaú BBA

Clayton Netz

25 de maio de 2010 | 20h10

Pesada e lenta como um elefante, a Justiça brasileira arrasta há mais de dez anos uma disputa milionária entre o banco BBA (hoje parte do Itaú Unibanco) e a Petropar, empresa petroquímica sediada no Rio Grande do Sul. É mais um daqueles esqueletos do Plano Real. Em 1993, no tempo dos pacotes econômicos contra a inflação, a Petropar procurou o banco, então controlado pelo ex-presidente do Banco Central Fernão Bracher e fez contratos de “hedge” para se prevenir contra a volatilidade do câmbio. Um ano depois veio o Real, a moeda brasileira se valorizou frente ao dólar, e a Petropar resolveu liquidar sua posição.

No dia do acerto de contas, o BBA entregou à petroquímica R$ 4 milhões– R$ 15 milhões a menos do que a Petropar esperava que pingasse na sua conta bancária. A razão de tamanha diferença é o índice de correção que cada parte resolveu adotar. A Petropar usou o IGP-M, índice previsto nos contratos. O BBA, por sua vez, adotou o IGP-2, alegando que seguia as mudanças de regras que empacotaram o Plano Real. Em 1999, depois de cinco anos tentando um acordo, a Petropar recorreu à Justiça. Os R$ 15 milhões se transformaram, na última vez em que o número foi atualizado, em 2007, em mais de R$ 200 milhões, dinheiro para ninguém botar defeito.

A Petropar ganhou em primeira e segunda instâncias, mas o caso está congelado por uma liminar à espera de julgamento no Supremo Tribunal Federal. “Caindo a liminar do STF, o banco vai ter que cumprir a decisão”, afirmou o advogado Alfredo Lazzareschi Neto, que defende a Petropar, ao repórter David Friedlander. Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, o Itaú BBA não quis se manifestar.

Cerca de um mês atrás, Bracher decidiu interferir na disputa. Longe do dia a dia do banco desde o ano passado, ele procurou os irmãos Wilson e William Ling, maiores acionistas da Petropar, e os convidou para uma conversa em São Paulo. O banqueiro paulista conhece os Ling desde que era bancário. Bracher foi gerente de uma agência do falecido Banco da Bahia, instalada no mesmo edifício que abrigava o escritório do pai de Wilson e William, no centro de Porto Alegre. “Eles se conheciam há muito tempo, por isso o BBA fazia muitos serviços para a Petropar”, diz Lazzareschi .

Na reunião de São Paulo, da qual participou também o banqueiro Cândido Bracher, filho de Fernão, ficou tudo como estava. “Eles (os Bracher) propuseram esquecer a questão jurídica e fazer um acerto”, disse Wilson Ling, um dos herdeiros da Petropar. “O acordo que ofereceram, no entanto, não nos interessou e decidimos continuar com o processo na Justiça”.

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