Cansado de ser executivo, Zottolo vira empresário

Felipe Vanini

28 de outubro de 2010 | 20h06

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Paulo Zottolo, o controvertido ex-presidente da Philips do Brasil e uma das lideranças do falecido movimento “Cansei”, está de volta ao mundo dos negócios, do qual se afastara no começo deste ano, após uma meteórica passagem pela Maior, a empresa de eventos e entretenimento do grupo ABC, do publicitário Nizan Guanaes. Com uma diferença: acostumado a trabalhar para empresas do porte da rede americana de supermercados Kmart e da fabricante alemã de cosméticos Nívea, Zottolo literalmente cansou de ser empregado. Seu novo desafio, agora, é tornar-se um empresário, daqueles que arriscam o próprio dinheiro numa empreitada. Apoiado por três investidores, ele está montando uma empresa de fabricação de águas vitaminadas, com sede em Miami, no Estado da Flórida. “Apesar dos riscos, será mais fácil atuar como empreendedor, sem ter de me submeter às dezenas de regras de uma grande empresa”, afirma Zottolo. “Numa multinacional, um projeto como o nosso levaria três anos para sair do papel. Conseguimos fazer isso em nove meses.”

Num primeiro momento, os sócios investirão US$ 10 milhões para colocar a AM Investment em operação a partir do dia primeiro de janeiro de 2011. Esses recursos estão sendo investidos no desenvolvimento das fórmulas dos produtos e das embalagens, bem como na aquisição (já feita) de duas distribuidoras, uma na Costa Oeste e outra na Costa Leste dos Estados Unidos. O engarrafamento das bebidas será terceirizado.

Rato de supermercado. Segundo Zottolo, seu interesse pelo nicho de águas vitaminadas surgiu em uma de suas temporadas de trabalho nos Estados Unidos, no começo da década. “Sou um rato de supermercado, estou sempre fuçando em busca de novidades”, diz. “Nessa época, comecei a constatar o crescimento das chamadas águas vitaminadas nas prateleiras de bebidas.” Também serviu de inspiração, o exemplo de um executivo, seu vizinho em Connecticut, que criara um novo produto, a Vitamina Water Glaceau e fazia as primeiras entregas a bordo de um Porsche. Em menos de dez anos, o empreendimento do americano prosperou: em 2007, sua empresa, a Energy Brands, foi vendida para a Coca-Cola pela bagatela de US$ 4,1 bilhões.

Zottolo não fala, mas seguramente considera cumprir uma trajetória semelhante à do vizinho e passar a AM (tirada da sigla em inglês para manhã) para algum grande grupo de bebidas. Por enquanto, Zottolo, que está de mudança para Miami, está concentrado em colocar a empresa em pé para poder disputar um naco de um mercado de US$ 16 bilhões, gerados por 150 marcas diferentes, só nos Estados Unidos. De acordo com ele, seus produtos terão como diferencial de marketing o uso de matérias-primas e de princípios ativos brasileiros, no lugar de sintéticos. Entre eles, por exemplo, serão utilizados uma certa pffafia panicultura, também conhecida como ginseng do Centro-Oeste brasileiro, e o maracujá-açú, encontrado no sul da Amazônia. “Vamos usar frutas como cereja e morango para melhorar o sabor”, diz Zottolo.

No plano de negócios de Zottolo está definida, ainda, a entrada no Japão, no final de 2011, em associação com grupos de investidores locais. O Brasil, onde a AM mantém um escritório com oito funcionários, em São Paulo, ficará para 2012. Também está na pauta a diversificação do negócio. “Vamos lançar uma linha de alimentos”, diz Zottolo.

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