Compra da Garoto pela Nestlé faz oito anos

Clayton Netz

25 de fevereiro de 2010 | 17h30

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No próximo domingo, 28, um dos mais longos e polêmicos processos em curso na área de defesa da concorrência completa oito anos de vida. Ganha uma caixa de bombons quem cravou o que envolve a compra da hoje octogenária Chocolates Garoto pela suíça Nestlé. Esse período coincide com praticamente todo o mandato do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2002, ano em que os suíços arremataram pela soma de US$ 250 milhões a combalida empresa da família capixaba Meyerfreund.

Apoiada pelos funcionários da Garoto e pela população do Espírito Santo, a operação foi bombardeada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Por maioria, os conselheiros do Cade determinaram que a aquisição fosse revertida. Entre os males que seriam causados ressaltavam a grande concentração de mercado resultante (as duas empresas deteriam mais de 56% de participação), a criação de barreiras a novos fabricantes e uma elevação dos preços dos chocolates, bombons e coberturas comercializados. Aparentemente, causava preocupação, o virtual monopólio do chocolate granulado que cobre o velho e bom brigadeiro das festas infantis, sem dúvida um produto de importância estratégica na vida do cidadão comum e do próprio País.

O fato é que inconformada, a Nestlé resolveu recorrer à Justiça em defesa dos seus interesses. Em todas as instâncias, inclusive no Tribunal Federal de Recursos, teve ganho de causa. Aparentemente, porém, ainda há um longo período pela frente, até que a novela chegue ao seu final. No entanto, a pergunta é: a quem interessa a demora? Ao País, às empresas, a seus empregados, aos consumidores? Não estaria na hora de se agilizar esse tipo de processo?

Felizmente, para a Garoto, apesar das restrições, a Nestlé não deixou de investir nela. Só nos últimos três anos, foram aplicados R$ 200 milhões na expansão da produção, ampliação do número de marcas e aumento da rede de pontos de venda. Ao mesmo tempo, o contingente empregado passou de 2,8 mil para 3,5 mil funcionários. E o faturamento empinou: em 2002, as receitas da Garoto chegavam a US$ 283,4 milhões, chegando a US$ 764,1 milhões em 2008, último resultado conhecido. Há oito anos, o prejuízo de US$ 5,6 milhões registrado era relativamente pequeno, mas a verdade é que a Garoto estava no chamado “bico do corvo”, minada por brigas familiares e sem capacidade de investimento. Em 2008, a última linha do balanço estampava um lucro líquido de US$ 58,6 milhões.

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