Comprar para crescer, o desafio da Progen

Clayton Netz

26 de maio de 2010 | 20h11

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Na última segunda-feira, 24, o empresário Eduardo Barella, 29 anos, presidente da Progen, firma de engenharia e gerenciamento de projetos, estava mais agitado que o habitual. O motivo é que está prestes a ser anunciado o desfecho das negociações para a compra de duas concorrentes de fora de São Paulo (ele não revela quais), o que exigiu muita dedicação de sua parte nos últimos meses. Crescer por aquisições é uma das estratégias de Barella para colocar a empresa, fundada por seu pai, José Ricardo, em 1987, entre as maiores de um setor que movimenta R$ 7 bilhões. Barella sabe que esse mercado é muito pulverizado – são cerca de 50 empresas, das quais apenas nove faturam mais de R$ 200 milhões – e que deverá, inevitavelmente, passar por um forte processo de consolidação. “Na engenharia consultiva só sobrarão grandes e pequenos”, diz ele. “Não há lugar para as empresas de médio porte.”

A Progen, com faturamento de R$ 225 milhões em 2009, não é grande nem pequena. Sexta maior empresa do setor, está longe da líder Engevix, que faturou R$ 1,6 bilhão no ano passado, o que a transformou em alvo da concorrência. “Recebemos todo mês propostas de gringos que querem comprar a empresa”, diz ele. Esse setor é formado por empresas que tocam grandes obras, movidas por clientes de peso da indústria de base, como mineração, petróleo, energia, transportes, entre outros. A Progen atende a Vale, Petrobrás, Gerdau e Braskem, entre outras. Mas diversifica a carteira, que conta com nomes como Avon e Merial, para não ficar nas mãos de poucos clientes .
Além das aquisições, Barella decidiu profissionalizar a companhia. Entre as iniciativas adotadas está a criação das áreas de suprimentos, recursos humanos, tecnologia da informação, sistemas, administração de contratos e comunicação e marketing. Para tocá-las, não titubeou: foi à concorrência e contratou profissionais do segundo escalão de cada área. “Não tenho cacife para bancar gente do primeiro escalão, mas o pessoal que contrato sabe fazer as coisas acontecerem”, diz Barella. Para o RH, por exemplo, Barella recrutou o gerente da Promon, a terceira maior do setor, exemplo de profissionalismo e benchmark para Barella.

Este ano, a Progen, que emprega 1,6 mil funcionários, deve faturar R$ 300 milhões. Caso se efetivem as duas aquisições, as receitas podem se elevar a R$ 500 milhões. Com esse reforço, Barella diz que será facilitada a internacionalização da Progen. Hoje, a empresa gerencia obras para a Vale na Argentina, Peru, Canadá, Moçambique e Malásia. “A experiência mostra que temos condições de crescer lá fora”, afirma Barella.

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