Banco Schahin e Zurita brigam na Justiça

Clayton Netz

31 de março de 2010 | 19h35

IVAN ZURITA/NESTRE
Arrasta-se desde novembro de 2007 uma disputa entre Ivan Zurita, presidente da Nestlé no Brasil, e o Banco Schahin, do grupo homônimo, controlador de empresas dos setores de engenharia, gás e petróleo, entre outros. Atualmente, correm três processos no Tribunal de Justiça de São Paulo a respeito de um empréstimo de cerca de R$ 7 milhões tomado pelo empresário para a compra de um imóvel em 2004. O mais importante deles, de autoria do Banco Schahin, chegou à fase de execução da dívida, calculada em quase R$ 19 milhões, graças ao acréscimo de correção monetária e juros.

Em setembro de 2008, em decorrência de uma decisão favorável ao banco, o presidente da Nestlé teve de fazer um depósito em juízo no valor de R$ 7,6 milhões. Esse dinheiro, posteriormente, foi transferido ao Banco Schahin, mas a quitação da dívida continuou pendente. Segundo o advogado de Zurita, Marcus Sampaio, do escritório paulista Abreu Sampaio, o empresário já pagou mais do que devia. “Na pior hipótese, o saldo não passaria de R$ 1 milhão”, diz Sampaio.

Para não correr o risco de ser impedido de realizar movimentações bancárias e ter seus bens arrestados pela Justiça, Zurita hipotecou uma de suas fazendas, a de Aguaí, no interior de São Paulo, avaliada em cerca de R$ 16 milhões, como garantia de pagamento ao banco. Na fase atual, o processo de execução aguarda a análise dos recursos de defesa do empresário. “Procuramos demonstrar as deficiências na cobrança”, diz Sampaio. “O Banco Schahin não deduziu valores pagos. Queremos o reconhecimento dos pagamentos já feitos.”

A disputa judicial ainda deve continuar por um tempo. Um dos argumentos alegados pela defesa de Zurita é que o banco transferiu sua dívida à securitizadora Schahin, sem o consultar, não descontando pagamentos parciais realizados. Procurados pela coluna, o Banco Schahin e Ivan Zurita preferiram não se manifestar. “Já houve a intenção de se tentar um acordo ”, afirma Sampaio. “Até agora, porém, não ocorreu nenhuma conversa entre as partes.

Além de comandar a operação da multinacional suíça, que faturou mais de R$ 16 bilhões no Brasil no ano passado, o executivo é dono da AgroZurita, que comercializa gado aprimorado geneticamente e atua em outros negócios, como a plantação de cítricos. Frequentemente, Zurita realiza badalados leilões de gado no interior de São Paulo, nos quais costuma reunir empresários do primeiro time, personalidades e artistas como Pelé, Roberto Carlos, Hebe Camargo, Ana Maria Braga e Tom Cavalcante.

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