Ela ganha dinheiro com a roupa suja dos abonados

Clayton Netz

28 de abril de 2010 | 19h38

LAVA SECO - FATO RELEVANTE

A economista paulista Maria Alzira Linares estava em busca de uma maneira de pôr em ação sua veia empreendedora, após sua saída do mercado financeiro, onde trabalhara por 30 anos. Maria Alzira passou todo esse tempo no antigo Banco Noroeste(absorvido em 1998 pelo espanhol Santander), onde começou como estagiária e fez carreira, passando por diversos cargos, até assumir a diretoria de crédito. Em 2000, ela abriu uma franquia da rede de lavanderias francesa 5 à Sec em Alphaville, na região metropolitana de São Paulo. “Era a época em que a 5 à Sec estava abrindo uma franquia depois da outra”, diz. Antes de a primeira loja completar um ano de operação, a economista montou uma segunda unidade, na mesma região.

Já acostumada com o negócio de lavanderias e insatisfeita com a falta de treinamento e consultoria da 5 à Sec, Maria Alzira decidiu dar um passo mais ousado, criando sua própria rede, a Lavasecco, cuja primeira loja foi inaugurada em 2005. “No ramo de lavanderia, o treinamento de pessoal é um dos fatores mais importantes, por causa dos cuidados específicos no tratamento dos tecidos”, afirma. “Não sentia essa preocupação em capacitar o atendimento quando era franqueada.”

Na Lavasecco, Maria Alzira, hoje com 59 anos de idade, buscou corrigir os problemas que via na rede francesa, que conta com mais de 300 lojas no Brasil. Tratando-se de um setor competitivo – atualmente há cerca de 6,2 mil lavanderias no País, que movimentaram R$ 2,8 bilhões em 2009, segundo o Sindilav, a entidade do setor – a Lavasecco buscou a diferenciação para prosperar. Elegeu prioritariamente como público-alvo as classes A e B, oferecendo serviços exclusivos, como lavagem de couro e até de malas de viagem. “Outros donos de lavanderia e aspirantes a empresário começaram a nos buscar, mostrando interesse pelo negócio”, diz Maria Alzira. Em 2006, ela iniciou o sistema de franquias que representa hoje quase um terço da rede.

A ênfase no público-alvo reflete-se na escolha dos pontos: das 11 lojas em operação (oito delas próprias), quatro estão em Alphaville, região que concentra condomínios de alto padrão, e apenas uma foi aberta fora do estado de São Paulo, em Florianópolis. A Lavasecco também tem um loja no shopping Cidade Jardim, um complexo que mistura residências e comércio, e outra na Vila Nova Conceição, um dos endereços residenciais mais exclusivos da capital paulista.

Em 2010, a rede tem planos para abrir outras quatro unidades, alcançando um faturamento de R$ 6,8 milhões. Os locais das novas lojas ainda não foram escolhidos, mas Maria Alzira admite que Goiânia, Brasília, Recife e São Bernardo do Campo estão no radar da Lavasecco. Segundo ela, a meta para os próximos dois anos são mais 15 lojas, totalizando cerca de 30 unidades, sempre centrada nos consumidores de maior poder aquisitivo. “Temos um teto de crescimento, estimado em 60 lojas”, afirma. “Sabemos muito bem onde estão os nossos clientes e não há como crescer mais do que isso.”

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