Endividada, Unidas mantém farol alto

Felipe Vanini

18 de outubro de 2010 | 20h12

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A Unidas Rent a Car, de São Paulo, controlada pelo grupo português SAG desde 2001, busca um parceiro para se capitalizar e refinanciar sua dívida líquida que bateu na casa dos R$ 535 milhões. A Unidas não dá nomes, mas confirma que está negociando sociedade com empresas e fundos de investimento brasileiros e portugueses. A despeito das dificuldades, a Unidas, que faturou R$ 710 milhões no ano passado, quer manter os faróis altos: uma das primeiras providências foi a renovação dos dois principais cargos de gestão, a presidência e a diretoria de locação, condição necessária para colocar em ação seu plano de crescimento, que prevê um acréscimo de receita de até 50% nos próximos cinco anos, sem expansão das lojas. “A rede atual sustenta o nosso plano de crescimento”, diz o português Pedro Almeida, presidente da Unidas, um dos reforços que a SAG trouxe em março deste ano para colocar a empresa no azul. Mais tarde, foi contratada a executiva Patrícia Nina, nova diretora geral de locação da Unidas.

Patrícia assumiu o posto há um mês e já definiu a estratégia para a recuperação da Unidas, segundo lugar no ranking nacional, com uma frota de 30 mil veículos, menos da metade da operada pela líder, a mineira Localiza. Na pauta,a melhoria no atendimento e reformulação das 101 lojas da rede. “O mercado de locação é considerado um negócio financeiro, e não de varejo, como deveria ser”, diz Patrícia. Ela foi escolhida justamente por ter uma trajetória profissional construída no varejo, com passagens pela C&A e Fnac. Por conta desse desafio, Patrícia está com a agenda praticamente comprometida até meados de dezembro. Nesse período, pretende visitar todas as lojas da rede, 36 próprias e 65 franqueadas. “Aprendi no varejo que você tem de estar presente na ponta do negócio, onde as coisas acontecem”, diz Patrícia.

Nos encontros com os franqueados da marca, ela está aproveitando para mostrar os novos planos da Unidas, que vão desde a mudança da disposição dos móveis nas lojas até a intensificação do treinamento dos funcionários para aprimorar o atendimento aos clientes. Depois de encerrar a temporada de visitas, ela pretende passar a metade de seu tempo de trabalho nas lojas. “ É preciso estreitar o contato com os clientes”,diz.

Emergentes. Patrícia chega à Unidas num momento de economia aquecida, com o aumento da renda da população e emprego em elevação, o que, segundo ela, está atraindo novos consumidores às locadoras de carros. Tanto é que a empresa reformulou o mix de veículos de sua frota reforçada com carros populares, que hoje representam 75% do total. Segundo Patrícia, a nova classe média emergente é exigente e está disposta a pagar mais para ter mais conforto. “O consumidor não quer apenas o mais barato, quer também comodidade”, afirma. Segunda ela, pela primeira vez na Unidas, o número de veículos 1.0 com ar-condicionado locados superou o de carros 1.0 sem esse equipamento, apesar da diária custar 25% mais caro.

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