Estudo mostra potencial dos jovens da classe C

Clayton Netz

30 de agosto de 2010 | 19h48

FATO RELEVANTE

No final do primeiro semestre deste ano, a agência de publicidade Talent, de São Paulo, recebeu alguns de seus principais clientes, entre os quais figuram nomes como Santander, Alpargatas, Santher, Votorantim Cimentos, Net, Ipiranga, Femsa e Tilibra, entre outros, para a discussão do estudo batizado de “Universitário, qual é a sua classe? É a C”. Dedicado à análise da inserção cada vez maior de estudantes oriundos da nova classe média emergente, o trabalho provocou discussões durante toda uma manhã entre os cerca de 50 participantes. “Há alguns anos, o assunto atrairia a atenção de uns poucos gatos pingados”, afirma Paulo Stephan, diretor de mídia da Talent. “Com a irreversível ascensão da classe C no Brasil, o interesse cresceu.”

De acordo com o estudo, que acaba de ser publicado pela Talent, nos últimos oito anos a participação dos estudantes saídos da classe C passou de 16% para 23% dos alunos matriculados na cerca de 3 mil instituições de ensino superior existentes no País. Em números absolutos, isso representa um acréscimo de 2,1 milhões de universitários e consumidores ao mercado. “Esse aumento da inclusão universitária tem como pano de fundo o ingresso, a partir de 2006, de 20 milhões de brasileiros na classe C”, diz Stephan. “Some-se a isso o fato de que, desde 2008, a renda dos 91 milhões de pessoas nela incluídos é maior que a dos integrantes das classes A e B. ”

O aumento do contingente de universitários emergentes foi viabilizado, de acordo com o estudo da Talent, pelos programas de financiamento estudantil, como o Prouni e o Fies, bem como o barateamento das mensalidades escolares – em função da maior competição, 90% do setor estão em mãos da iniciativa privada. De uma média de R$ 860, em 1996, o valor das mensalidades caiu para R$ 467 em 2009.

Contribuem também para esse movimento a necessidade de ascender no emprego e atender às demandas por maior qualificação, apresentadas pelos empregadores e pelo mercado de trabalho. “Estudos mostram que um diploma superior provoca um aumento de 171% na renda média de um indivíduo no Brasil”, afirma Stephan.

Mas o que impulsiona os jovens emergentes a continuar estudando? “A classe C sonhava em ter iogurte no café da manhã”, diz Stephan. “Hoje, as aspirações são muito maiores. Projetam futuro, além da educação.” A grande preocupação dos jovens universitários dessa faixa social é ter uma vida melhor do que a de seus pais. Como objetos de desejo, a posse de computadores e o acesso à internet aparecem na pole position. “Um terço dos lares de classe C dispõe de computadores”, diz Stephan. “A internet já tem penetração de 45% entre essas famílias.”

Segundo levantamento do instituto de pesquisas Ipsos Marplan, esse segmento está plugado em toda a gama de bens de consumo moderno: 51% deles têm máquina fotográfica digital, 41% possuem tocadores MP3, fatia que chega a 33% no caso do iPod e a 94% para os celulares. Em relação às finanças pessoais, esse grupo também apresenta números promissores: cerca de 70% têm conta em banco e 55% possuem cartão de crédito, com um gasto médio per capita de R$ 200. “O potencial de consumo dos jovens universitários da classe C não pode ser desprezado pelas empresas”, alerta Stephen. “Eles serão maioria e terão grande poder nas mãos. Portanto, é importante conhecê-los cada vez mais profundamente.”

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