Fendi ensaia volta ao Brasil

Clayton Netz

27 de setembro de 2010 | 17h15

O grupo francês Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH), o maior conglomerado mundial do mercado de artigos de luxo, lança hoje, em São Paulo, uma linha de perfumaria da marca espanhola Loewe e da italiana Fendi. No caso da Fendi, mais conhecida por seus acessórios, como carteiras e bolsas femininas que podem custar mais de R$ 10 mil, trata-se, na verdade, de um retorno após a interrupção de suas vendas no Brasil, em 2008, devido ao mau desempenho de vendas da linha Fendi Palazzo.

Segundo a francesa Isabelle Gex, diretora da divisão de perfumes da LVMH responsável pela Fendi, o lançamento da nova linha, chamada “Fan di Fendi”, precede a entrada no Brasil da marca italiana, que pretende instalar uma loja em São Paulo e outra no Rio de Janeiro até o fim de 2011 para vender uma gama maior de produtos finos. “Estamos discutindo os detalhes com nossos parceiros brasileiros”, diz Isabelle.

Entre os profissionais do ramo, os perfumes são vistos como um estágio inicial na escala de consumo de produtos de luxo. “É um item de acesso que fortalece a presença da marca no País”, afirma Christian Hallot, embaixador itinerante da H. Stern, a maior rede brasileira de joalherias. A estratégia da LVMH é posicionar a linha “Fan di Fendi”, composta por perfume, loção corporal e desodorante, em cerca de 140 dos 430 estabelecimentos que revendem seus produtos atualmente – a LVMH também vende no País as marcas Dior, Givenchy, Kenzo e Acqua di Parma.

Com 20 anos de experiência no mercado de perfumes, Isabelle tem em seu currículo a criação da linha de maquiagens Very Irresistible, da Givenchy, cuja campanha publicitária foi estrelada pela atriz Liv Tyler, filha do roqueiro americano Steve Tyler. Isabelle foi encarregada de tocar o projeto da Fendi com a meta de assumir até o fim deste ano uma posição entre as cinco fragrâncias mais vendidas em seus pontos de venda e o 15º lugar no ranking total de perfumes de luxo femininos. “Investiremos pesado em campanhas nas lojas e em propaganda na TV a cabo e internet”, diz Isabelle.

Reinado. Dono de uma receita global de 17,9 bilhões de euros em 2009, o grupo LVMH faturou com seus perfumes cerca de 2,7 bilhões de euros – menos do que os US$ 4,8 bilhões movimentados por essa categoria de produto no Brasil no mesmo período, a segunda maior do mundo em valor, atrás apenas da americana. Em volume, o Brasil é líder mundial, com consumo estimado em 28,9 milhões de litros em 2009, três vezes maior do que o dos EUA, de acordo com a consultoria inglesa Euromonitor.

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