Fusão cria cooperativa de R$ 2 bilhões no Paraná

Clayton Netz

10 de junho de 2010 | 20h18

cocamar

Enfraquecida por conta da crise do ano passado, a cooperativa agrícola Corol, de Rolândia, no norte do Paraná, encontrou uma saída, talvez a única viável, para evitar a quebra: ser absorvida pela gigante Cocamar, da vizinha Maringá, dando lugar a uma das maiores cooperativas do País e a segunda do Estado, com faturamento inicial de R$ 2 bilhões. “Em três anos, queremos chegar a uma receita de R$ 3 bilhões”, diz Luiz Lourenço, presidente da Cocamar. Nesta sexta-feira, os mais de 14 mil agricultores filiados às duas entidades reúnem-se em assembleia para decidir sobre a fusão. Segundo diretores da Corol e da Cocamar, a proposta foi bem recebida nas rodadas iniciais de apresentação.

Se a fusão for aprovada pelos cooperados na reunião de hoje, será apresentado no fim deste mês um estudo sobre a saúde financeira da Corol, preparado pelo consultor paulista Valdemir Campanelo. Ao mesmo tempo, terá início a elaboração de um novo estatuto das cooperativas, que deve ficar pronto até o final do ano. “Funcionaremos como uma só empresa, com um único CNPJ”, diz Lourenço. “Queremos um diagnóstico detalhado da situação financeira da Corol para saber onde estamos entrando.”

A Corol acumulou dívidas de cerca de R$ 320 milhões (o equivalente à metade do seu faturamento anual), com uma parcela significativa a vencer no curto prazo. Segundo Eliseu de Paula, presidente da Corol, a nova empresa teria condições de suportar o pagamento dos débitos, principalmente porque seus principais credores, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o Bradesco, o Itaú Unibanco e Banco do Brasil já começaram a alongar o perfil das dívidas da cooperativa.

A empresa resultante da fusão terá 57 unidades de recebimento de grãos e produzirá farelos e óleos vegetais, tecidos, açúcar e álcool, trigo, café torrado, rações, sucos concentrados de laranja e uva e néctares para o varejo, com a marca Purity. Além disso, a sinergia na compra de insumos agrícolas e combustível vai gerar economia de até 10%.

“Vamos desengavetar projetos que haviam ficado estacionados por falta de financiamento”, diz Lourenço. Um deles é a produção de massas, área em que a Corol tem alguma experiência com a moagem do trigo. “O objetivo é que todo produto primário seja industrializado”, afirma de Paula. Em função de seus problemas financeiros, a cooperativa de Rolândia perdeu espaço no recebimento de grãos, com participação de 18% do total produzido em sua região atualmente, contra 70% da Cocamar. “Buscaremos uma maior participação na região da Corol”, diz Lourenço.

Paralelamente, a Cocamar e a Corol estão negociando a incorporação da Cooperativa Cofercatu, de Porecatu, também no norte paranaense. Há um mês, a Cofercatu se desfez de seu maior ativo, uma unidade produtora de álcool, vendida por R$ 182 milhões à Usina Alto Alegre. Ainda restam três unidades de recebimento de grãos, com um potencial de R$ 80 milhões de faturamento anual.

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