Hora e vez dos médios e pequenos

Clayton Netz

17 de agosto de 2010 | 20h06

Na esteira da recuperação da economia e da formalização do emprego, os planos de saúde corporativos vêm crescendo no Brasil. Atualmente, os chamados planos coletivos, com 31,5 milhões de segurados, representam 73% do mercado total, que arrecadou R$ 64, 2 bilhões no ano passado. “O plano de saúde faz parte praticamente obrigatória do cardápio de benefícios das empresas interessadas em reter talentos e é um item cada vez mais frequente nos acordos sindicais”, afirma Marcio Coriolano, presidente da Bradesco Saúde. Com 2,6 milhões de segurados registrados no final do primeiro semestre, a Bradesco Saúde é a líder do mercado nacional, onde compete com nomes como a SulAmérica, Amil, Medial e Golden Cross. No período, a Bradesco Saúde incorporou cerca de 150 mil novos segurados, elevando suas receitas a R$ 3,2 bilhões. Até o final do ano, a previsão é de chegar a uma arrecadação de R$ 5,4 bilhões.

O grande responsável pelo resultado foi o crescimento do seguro para pequenos grupos, identificado pela sigla SPG, destinado a clientes corporativos que seguram entre 5 e 99 funcionários. Entre janeiro e junho, o SPG, que já representa 15,6% das 42 mil empresas clientes da Bradesco Saúde, cresceu 33%, quase o dobro do aumento obtido pelos planos empresariais tradicionais. “Isso mostra o vigor das pequenas e médias empresas no País e a maior formalização do emprego”, diz Coriolano. Segundo ele, à medida que as pessoas se empregam com carteira assinada, elas tendem a cancelar seus planos individuais. Atualmente, os planos individuais representam menos de 9% da carteira total da Bradesco Saúde.

Um dos produtos que mais ajudaram a empinar as vendas do SPG foi o Plano Perfil, uma inovação da seguradora. Lançado há dois anos, no Rio de Janeiro e São Paulo, a preços mais em conta do que os produtos tradicionais, o Perfil já pode ser contratado em praças como Belo Horizonte, Blumenau, Salvador, Recife e Campinas. Ao contrário dos outros planos da Bradesco Saúde, a abrangência geográfica da cobertura do Perfil é regional. “A rede do Perfil não é nacional, é uma rede de municípios”, afirma Coriolano. Também há uma menor oferta de hospitais de primeira linha, que costumam encarecer os planos de saúde. “É um plano que cabe no bolso da empresa”, diz. Além de definir se vai oferecer apartamentos ou enfermaria nos casos de hospitalização, o cliente determina o valor do reembolso das despesas médicas, bem como se vai exigir a coparticipação do funcionário no patrocínio do plano. “Tudo isso ajuda a moldar e ajustar a assistência de saúde às necessidades e disponibilidades do cliente”, afirma.

Coriolano, que também é presidente da FenaSaúde, acredita que as perspectivas de crescimento do setor inevitavelmente atrairá as atenções dos competidores internacionais. Por enquanto, a despeito de alguns movimentos, como a aquisição da Medial Saúde pela Amil, em 2009,ele acredita que a consolidação do mercado de seguro saúde, pulverizado entre 1200 operadoras no País, se dará lentamente. “Num primeiro momento, o foco será a concentração dos prestadores de serviços, como os hospitais”, diz. “As seguradoras estrangeiras virão mais adiante, mas em associação com grupos nacionais, como ocorreu no ramo de seguros gerais”, afirma.

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