Ibema e Papirus anunciam fusão

Felipe Vanini

14 de dezembro de 2010 | 20h15

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A paranaense Ibema e a paulista Papirus, fabricantes de papel cartão, estão a um passo da fusão. A assinatura de um protocolo de intenções para juntar as duas operações será anunciada amanhã (14) para os 830 funcionários das duas empresas, 350 da Ibema, sediada em Curitiba, e 280 da Papirus, em São Paulo. Com a união, Ibema e Papirus, com 12% e 13% do mercado, respectivamente, passarão a deter um quarto do segmento de papel cartão, liderado pela Klabin e Suzano, donas de 28% de participação cada uma.

Da fusão, nascerá um grupo com faturamento de R$ 500 milhões. “A consolidação de atividades correlatas é a nova ordem mundial dos negócios”, diz Claudio Salce, CEO da Papirus, controlada por um dos ramos da família Ramenzoni. “Não há como fugir disso.” Segundo Nei Senter Martins, presidente da Ibema, que tem como sócios as famílias Nápoli, Maia e Gomes, a fusão vai fortalecer o setor. “Vamos encarar os concorrentes com mais musculatura”, diz ele.

Nos próximos seis meses, a Ibema e a Papirus passarão por auditoria em suas contas, conduzida pela KPMG. De acordo com Salce, só então serão definidas as participações acionárias de cada grupo na nova empresa, assim como a razão social que será adotada a partir da fusão. Para pessoas familiarizadas com o negócio, é provável que a Ibema, dona de um faturamento maior e menos endividada, venha a controlar uma fatia maior das ações da nova empresa.

Negociações. O namoro entre a Ibema e a Papirus começou em 2008, mas teve que ser interrompido com a explosão da crise mundial. “Tivemos de parar as negociações para salvar nossas empresas”, afirma Salce. As conversas foram retomadas há seis meses. As duas fabricantes possuem muitas similaridades. A Ibema, criada, assim como a Papirus, na década de 1950, opera uma fábrica no município de Turvo, região central do Paraná, onde produz cerca de 90 mil toneladas de papel cartão e deve fechar o ano com faturamento de R$ 250 milhões. A Papirus, dona do mesmo volume de produção em sua fábrica de Limeira, no interior paulista, deve encerrar este ano com uma receita um pouco menor, de R$ 235 milhões.

As duas empresas atuam no mercado externo. A Ibema exporta 20% da sua produção total, enquanto a Papirus embarca para o exterior cerca de 10% do volume produzido. A Argentina é um dos principais destinos nos dois casos. Segundo Martins, há muitas vantagens na fusão, a começar pelas sinergias entre as duas empresas. “A Ibema está muito bem localizada, com acesso facilitado aos países do Mercosul”, diz Martins. Com as operações conjugadas, a expectativa é que a nova empresa reduza em cerca de R$ 20 milhões os custos logísticos e comerciais, ou o equivalente a 4% do faturamento consolidado.

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