Itaú vai reformar mais 600 agências

Felipe Vanini

26 de outubro de 2010 | 13h22

Após o fim da integração com o Unibanco, que resultou na transformação de 1,2 mil agências e postos de atendimento bancário (PABs) em unidades Itaú, o Itaú Unibanco continuará em obras. Segundo o vice-presidente da instituição, Geraldo Carbone, 600 agências deverão ser reformadas em 2011. A ideia é, aos poucos, adequar as 5 mil unidades de atendimento do banco, incluindo PABs, ao design criado para “acolher” os clientes Unibanco. “A ideia era mostrar que se tratava de um novo banco. Por isso, as agências ficaram mais agradáveis, com mais tecnologia e, onde a segurança permitiu, saíram as portas giratórias”, afirmou Carbone ao repórter Fernando Scheller.

Embora o processo de integração – que será celebrado em uma campanha em TV, rádio e internet nas próximas duas semanas – tenha eliminado a marca Unibanco, alguns serviços criados pelo banco da família Moreira Salles foram incorporados ao Itaú: o Uniclass atenderá clientes “emergentes”, com renda acima de R$ 4 mil e necessidades de crédito para realização de metas, como a compra de um automóvel ou o financiamento da casa própria. Ao todo, serão cerca de 1,2 mil espaços Itaú Uniclass nas agências do banco no País.

As novas unidades do Itaú ganharam, na porta dos caixas eletrônicos, a expressão “30 horas”, cunhada pelo Unibanco para ressaltar que, embora as agências só abram por seis horas, o cliente pode ser atendido por telefone, internet e terminais de autoatendimento.

O vice-presidente do Itaú Unibanco disse que a manutenção da marca Itaú em detrimento à do Unibanco foi 100% técnica. “A marca do Itaú tem todos os ingredientes: poucas letras, muitas vogais e uma identidade visual forte. O laranja é quase uma propriedade do banco. Decidimos usar o Itaú como marca e manter Itaú Unibanco na corporação”, afirmou Carbone. “Mas, se o contrário fosse verdade, não teríamos problema em gastar mais e transformar as 3,8 mil agências Itaú em Unibanco.”

Dos cerca de 16 milhões de correntistas do Itaú, 4 milhões vieram do Unibanco. Para incorporar esse contingente, o banco treinou os call centers para “falar a língua” dos dois bancos. “O cliente Unibanco usava mais as agências e o serviço telefônico, porque a rede era menor”, diz Carbone. “Com mais caixas eletrônicos, o padrão mudou. O incômodo dura de três a cinco meses.”

Outra arma para deixar o correntista tranquilo foi manter os gerentes do Unibanco à frente das agências. Segundo ele, valeu perder conhecimento técnico da nomenclatura dos serviços Itaú para ganhar em identificação. “A conta, o telefone de contato e as senhas tinham mudado. Não convinha mudar o gerente também”, disse Carbone.

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