Mercado Livre cresce a um ritmo de dar inveja a chinês

Clayton Netz

28 de julho de 2010 | 20h13

O executivo carioca Stelleo Tolda, então com 31 anos, trabalhava no falecido Lehman Brothers, nos Estados Unidos, quando recebeu um convite de um ex-colega do curso de MBA na Universidade Stanford, na Califórnia, o argentino Marcos Galperín, para montar o braço brasileiro do site de comércio eletrônico Mercado Livre. Detalhe: a empresa havia sido lançada dois meses antes, em agosto de 1999, por Galperín, na Argentina. Se Tolda tinha alguma dúvida na ocasião sobre o acerto de sua decisão de aceitar a proposta de Galperín, ela durou pouco tempo. Maior plataforma de comércio eletrônico da América Latina, com atuação em 13 países da região e em Portugal, o Mercado Livre intermediou 29 milhões de transações, no valor de US$ 2,7 bilhões, em 2009. “Estamos obtendo um crescimento anual de 30%, ritmo que devemos manter nos próximos cinco anos”, diz Tolda, que ocupa o posto de Chief Operating Officer do Mercado Livre.

Do total movimentado, ficaram nos cofres do Mercado Livre US$ 173 milhões, fruto das comissões pela venda de uma gama ilimitada de itens, que vão de celulares, equipamentos de informática e acessórios para automóveis, passando por roupas e animais de estimação, além das receitas geradas pelo Mercado Pago, uma ferramenta própria de pagamentos pela venda de anúncios. Segundo Tolda, 80% dos produtos comercializados são novos, oferecidos por clientes pessoas físicas e pequenas empresas. “Há uma divisão meio a meio na oferta”, diz Tolda.

Tolda comanda um contingente de 1 400 funcionários, dos quais 400 estão baseados no Brasil, principal mercado do site. “O País representa a metade de todos os nossos números”, afirma. Baseado nisso, ele acredita que há espaço para empresas como o Mercado Livre e seus principais concorrentes, a Lojas Americanas e o Buscapé, para crescer na região. Ele aposta, por exemplo, no crescimento do número de internautas: na América Latina, há cerca de 150 milhões de navegantes na web, para 550 milhões de habitantes. Isso representa menos de 40% da população, contra uma participação de mais de 70% nos Estados Unidos. “À medida que mais pessoas tenham acesso à banda larga, o número de internautas e de consumidores online deverá explodir”, afirma. “É o caso do Brasil, onde para 65 milhões de internautas há perto de 17 milhões de clientes do comércio eletrônico.”

Negociado na bolsa americana Nasdaq, o Mercado Livre tinha um valor de mercado de US$ 750 milhões em agosto de 2007, data de seu IPO. Exatos 11 anos depois, o valor da empresa, que conta entre seus acionista com o site de leilões E-Bay, triplicou para os atuais US$ 2,5 bilhões. Com 45 milhões de clientes cadastrados, o Mercado Livre quer mais do que dobrar de tamanho nos próximos cinco anos. A meta é chegar a 2015 com um volume de negócios de US$ 10 bilhões e uma receita operacional de US$ 500 milhões. “Nosso desafio é acompanhar o desenvolvimento tecnológico, sobretudo a utilização das redes sociais”, diz Tolda. “Afinal, o mercado eletrônico vai acontecer, dentro ou fora do Mercado Livre.”

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