Mormaii quer surfar com carros e alimentos

Felipe Vanini

24 de outubro de 2010 | 20h25

Aos 61 anos, o empresário gaúcho Marco Aurélio Raymundo, fundador da Mormaii, uma das maiores marcas de artigos de surfe do mundo, acaba de voltar de uma viagem de dois meses em seu barco, o Destino Azul, pelas ilhas de Sumatra e Java, na Oceania. No fim do ano, Morongo, como é mais conhecido, prepara-se para mais uma longa temporada de surfe no Havaí. Em contraste com a vida aparentemente mansa de seu controlador, que já passou um ano sem pisar na sede da empresa, em Garopaba, no litoral catarinense, a Mormaii é um negócio nervoso, com uma vasta gama de projetos engatilhados. Sua logomarca está presente em mais de 80 países e está estampada em quadro de bicicletas até em óculos e confecções. O faturamento deve atingir R$ 335 milhões neste ano e chegar a R$ 380 milhões em 2011. “Historicamente, temos crescido entre 15% e 30%”, diz Morongo.

Um dos projetos mais recentes da Mormaii é o lançamento de uma linha de alimentos naturais para atletas. “Mas não é pra ficar bombadão”, diz Morongo. Outro lançamento ocorre no Salão do Automóvel, que começa nesta semana, em São Paulo: um utilitário 4 x 4 fabricado pela japonesa Suzuki com a marca da Mormaii, dotado de um chuveiro para o surfista se enxaguar depois de sair do mar. “É um veículo adequado ao estilo de nosso público, mas não esperamos grandes volumes de venda”, diz Morongo. A linha Mormaii também ganhará o reforço de uma cesta de 49 produtos cosméticos e de águas saborizadas, que chegarão ao mercado depois do carnaval de 2011. “Existe uma infinidade de produtos em que podemos licenciar nossa marca”, diz. “O mais difícil é saber no que apostar, pois precisamos alinhar o marketing.”

Morongo se formou em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul no início da década de 1970 e rumou, como muitos gaúchos em busca de qualidade de vida, para Santa Catarina. “Há médicos que resolvem ir para a Amazônia”, diz. “Vim para Garopaba, que na época era uma vila de pescadores sem luz nem água encanada.” A ideia de produzir roupas para surfar nas águas frias das praias de Santa Catarina surgiu por necessidade do próprio Morongo, que inicialmente utilizava borracha de câmara de pneu como matéria-prima de seus macacões. Com o tempo, amigos passaram a se interessar pelo “produto” artesanal, dando origem à Mormaii – derivação de Morongo, do nome de sua primeira mulher, Maira, e Havaí –, criada para a produção desses artigos.

Daí para o início da fabricação de linhas do chamado surfwear, como bermudas, camisetas e agasalhos, levou quase dez anos. A iniciativa partiu de empresários interessados em agregar a seus produtos a marca da Mormaii. “Nunca procuramos ninguém”, diz Morongo, que conta com a atual mulher, Marisa, e os filhos Tainá e Flavius, no dia a dia da empresa. “As pessoas vieram bater na minha porta e o negócio está dando dinheiro para todo mundo.” Atualmente, a Mormaii mantém apenas uma fábrica própria, em Garopaba, que produz roupas de neoprene e artigos para o surfe, como o leash, corda que mantém o surfista preso à prancha. O restante dos produtos é fabricado por uma rede de mais de 30 fornecedores.

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