O grupo Gazin vai fincar um pé no Paraguai

Clayton Netz

20 de julho de 2010 | 17h30

gazin

O empresário Mário Valério Gazin, 61 anos de idade, fundador da holding que controla a rede paranaense de lojas de móveis e eletrodomésticos Gazin, três fábricas de colchão e estofados, uma financeira, uma empresa de seguros e consórcio, interrompeu os estudos na primeira série do ensino fundamental. “Tive de parar com os estudos para ajudar meu pai no cultivo do café”, diz Gazin, o primogênito de uma família de lavradores pobres. A falta de educação formal, ainda perceptível no modo de falar, porém, não o impediu de construir um dos maiores impérios do varejo do País, com cerca de 160 lojas espalhadas por nove Estados e faturamento de R$ 1,3 bilhão em 2009.

Com 43 anos de existência, a Gazin, baseada em Douradina, no norte do Paraná, se prepara para dar o seu primeiro passo internacional: até o final de 2011, a empresa pretende fincar um pé no Paraguai, onde projeta abrir 40 lojas de móveis e eletrodomésticos, num investimento de US$ 25 milhões. “Precisamos entrar com a operação completa”, afirma Gazin. “O varejo paraguaio é muito dinâmico.”
A internacionalização via Paraguai é mais um estágio da estratégia de negócios que a Gazin acabou desenvolvendo ao longo dos anos para acompanhar o êxodo de seus clientes. O movimento teve início em 1975, quando a chamada “geada negra” devastou os cafezais do norte do Paraná, levando milhares de agricultores da região a buscar alternativas no Centro-Oeste e no Norte do País. A Gazin seguiu a corrente migratória e hoje é uma das mais fortes varejistas nessas regiões, povoadas pelos descendentes dos sulistas. Na verdade, hoje o Paraná abriga apenas o QG da Gazin e duas lojas próprias. Curiosamente, nenhuma delas está localizada na capital Curitiba. Gazin prefere atuar no Estado apenas com o atacado de colchões e estofados. “Para nós, a operação atacadista é mais rentável no Paraná”, diz Gazin. Em contrapartida, há 66 lojas no Mato Grosso, 35 no Mato Grosso do Sul e 41 em Rondônia, entre outras.

Obsessão por resultados.À época do êxodo, Douradina tinha 30 mil habitantes, quatro vezes mais do que os 7,2 mil habitantes que vivem lá atualmente. O Paraguai também acabou absorvendo boa parte desse fluxo. Hoje, estima-se que cerca de 500 mil brasileiros vivam no país, um pouco menos de 10% da população de cerca de 6 milhões de habitantes.

O reforço da operação paraguaia vai contribuir com a meta de Gazin de dobrar seu faturamento para perto de R$ 2,5 bilhões até 2014. A obsessão de Gazin com os resultados beira o cômico: todo fim de ano, ele entrega a seus funcionários calcinhas e cuecas gravadas com os objetivos de lucro e faturamento da empresa para o exercício seguinte. Em 2010, a roupa íntima veio bordada com R$ 120 milhões em vendas por mês, R$ 1,44 bilhão no ano e lucro equivalente a 3,5% do faturamento. Também são afixados cartazes com os objetivos para refrescar a memória dos funcionários nas paredes dos banheiros e corredores da sede.

Se a meta for concretizada, a recompensa deste ano é uma passagem aérea com destino aberto para qualquer lugar do mundo. Gazin já presenteou os funcionários com carros e motos. “Os 300 funcionários que mais ajudarem a atingir as metas recebem o prêmio”, diz Gazin, que emprega mais de 4 mil pessoas em seu grupo.

Segundo Gazin, que divide em partes iguais o controle do grupo com cinco irmãos, a concentração do varejo brasileiro – cujo lance mais recente foi a compra da Lojas Maia, da Paraíba, pelo Magazine Luiza na semana passada – não deverá afetar a empresa, pelo menos a curto e médio prazos. “Há cinco anos, o Ponto Frio me fez uma proposta, mas não aceitou o que pedi”, afirma Gazin. Ultimamente, diz ele, ninguém o tem procurado. “Só querem comprar empresa doente e nós não estamos doentes.”

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