O turismo aposta no efeito Copa do Mundo

Clayton Netz

29 de abril de 2010 | 20h03

FATO RELEVANTE/TURISMO

No ano passado, a indústria do turismo carreou US$ 5,3 bilhões em divisas para o Brasil, 8% a menos do que o obtido em 2008. Ainda assim, como efeito da crise mundial e tudo, trata-se do segundo melhor resultado na história do setor. “Desde 2003, com a criação do ministério do Turismo, o ingresso de dólares mais do que dobrou ”, afirma o titular da pasta, ministro Luiz Barretto. Na esteira desse crescimento, aumentou a importância relativa do setor no balanço de pagamentos brasileiro: o turismo já é a quinta fonte de receitas externas do País, atrás das exportações de minério de ferro, soja, petróleo e açúcar. “Mas podemos e vamos continuar crescendo muito mais”, afirma Barretto.

O horizonte do ministério do Turismo na área externa está voltado para os próximos quatro anos. Tem nome e sobrenome: Copa do Mundo de Futebol. Barretto está convencido de que seja quem for o ministro, em 2014 ( de preferência ele ou alguém do seu partido, o PT), deverá contabilizar a entrada de cerca de 8 milhões de turistas, que desembolsarão pelo menos US$ 10 bilhões no complexo turístico nacional. “Na verdade, o efeito Copa do Mundo começa agora”, afirma. Para este ano, a expectativa é de que os estrangeiros aportem pelo menos U$ 6 bilhões, pouco mais de 10% dos US$ 50 bilhões de dólares movimentado pela atividade, somados o turismo de origem interna e externa.

Mas é no plano dos investimentos para melhoria e modernização do setor que deverá ser mais marcante a influência da Copa do Mundo. Nada menos de R$ 11 bilhões em projetos na área de hotelaria já estão anunciados pelas cadeias hoteleiras. “Somente a rede Accor pretende encabeçar a construção de 66 novos hotéis Ibis e Fórmula 1”, diz Barretto. Segundo ele, além dos franceses do Accor, grupos espanhóis (Iberostar e Sol Meliá) e portugueses (Espírito Santo e Pestana) também ampliarão sua rede. Grande parte dos recursos necessários deve vir dos investidores privados, mas também está prevista a participação de recursos oficiais. O BNDES, por exemplo, já separou R$ 1 bilhão para o financiamento da reforma ou construção de novas unidades até 2012.

Barretto reconhece que dificilmente o setor será superavitário em suas contas externas no médio prazo – a fatura dos gastos dos turistas brasileiros lá fora é perto do dobro dos ingressos dos estrangeiros. O real supervalorizado é um dos motivos . No entanto, ele entende que o tal “efeito Copa do Mundo” deverá ajudar a transformar a indústria do turismo, atraindo um fluxo ainda maior de investimentos internacionais. “Nosso desafio é tornar o setor mais competitivo, tão interessante para o investidor estrangeiro quanto a construção civil ou o agronegócios”, afirma.

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