Três maiores bancos têm 56% dos depósitos no País

Clayton Netz

22 de julho de 2010 | 19h32

Fortalecidos pelo maciço aporte de fundos públicos e pela política de aquisição de outras instituições em dificuldades durante a crise financeira global, os grandes bancos americanos passaram a concentrar cada vez mais poder de fogo. De acordo com recente reportagem do Wall Street Journal, em conjunto, o Bank of America, o J.P. Morgan Chase e o Wells Fargo passaram a deter 33% do total de depósitos do sistema financeiro dos Estados Unidos. Caso se acrescente o Citigroup a essa lista exclusiva, o resultado é ainda mais impressionante: os quatro gigantes são responsáveis pelo dobro dos empréstimos e outros ativos dos 46 maiores bancos restantes do país. Em conjunto, eles detêm sob sua guarda nada menos de US$ 7,7 trilhões. Essa dinheirama equivale a 4,5 vezes o PIB brasileiro de 2009.

Inédito para os padrões americanos, esse grau de concentração está longe, muito longe de rivalizar com o vigente no sistema financeiro brasileiro. Como se pode verificar na tabela, elaborada pela consultoria Austin Rating, de São Paulo, os três maiores bancos nacionais – Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco– detêm 56,3% do R$ 1,26 trilhão de depósitos existente em dezembro de 2009. Em 1994, a participação dos três maiores era de 37,2%. O que também quer dizer que a concentração bancária americana está 15 anos atrasada em relação à do Brasil no que se refere ao pelotão de frente.

Quando se amplia a lista para os cinco maiores do País, com o acréscimo do Santander e da Caixa Econômica Federal, a concentração cresce para 78,9%. Ou seja, R$ 7,8 em cada R$ 10 depositados na rede bancária nacional está em poder dos grandalhões. Quando se fala dos 20 maiores, esse grau chega 93,6%. Trocando em miúdos, cabe às 139 instituições restantes disputar ferozmente uma minguada fatia de 6,4% dos depósitos totais.

A concentração bancária no Brasil não se limita ao volume de dinheiro em poder dos mais fortes. O próprio número de bancos vem diminuindo aceleradamente nas últimas décadas. Em 1964, havia 336 bancos em atividade no mercado. Em 1994, esse número já caíra para 232. A partir daí, como resultado da estabilização da moeda, privatização de bancos estatais, a abertura ao capital estrangeiro, entre outros fatores, o contingente foi se reduzindo até chegar aos 159 bancos contabilizados em dezembro de 2009. Só para comparar: nos Estados Unidos, o número de bancos comerciais está na casa de 8.600. “Nos Estados Unidos, a despeito de todas as falhas regulatórias que vieram à tona recentemente, sempre houve uma preocupação em disciplinar a participação no bolo de depósitos e empréstimos”, afirma Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating. “Durante muito tempo, os bancos estavam impedidos de abrir agências e captar depósitos fora de seus Estados de origem.”

Segundo Santacreu, uma das consequências da concentração elevada, do ponto de vista do consumidor, costuma ser a diminuição da competição no setor, traduzida em taxas menores para suas aplicações financeiras e o pagamento de taxas maiores nos empréstimos tomados. “Graças a isso, os bancos maiores conseguem operar com taxas de spread mais altas”, afirma.

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