Tudo como um carnaval após o outro

Clayton Netz

24 de fevereiro de 2010 | 13h28

Na sexta feira de carnaval de 2005, enquanto a maioria dos mortais se preparava para cair na folia, o empresário paulista Laércio Cosentino, então controlador da Microsiga, trabalhava no fechamento de sua primeira aquisição, a compra da concorrente Logocenter, baseada em Joinville, no norte de Santa Catarina. Na época, a Microsiga, especializada em software de gestão, tinha um faturamento anual de R$ 530 milhões e empregava 1,1 mil funcionários.

Cinco carnavais mais tarde, muita coisa mudou na vida empresarial de Cosentino. A aquisição da rival catarinense foi apenas o tiro de partida da temporada de caça a ativos corporativos que se intensificou nos anos seguintes. No último carnaval, Cosentino saboreava os resultados desse esforço: a solitária Microsiga se transformou no grupo Totvs, o guarda-chuva que abriga 26 empresas, emprega 5 mil funcionários e faturou R$ 1,1 bilhão em 2009. Se depender dele, o crescimento via aquisições ainda tem espaço na Totvs. “O movimento de consolidação do setor não está concluído”, afirma.

Segundo Cosentino, a incorporação de duas dezenas e meia de empresas deu musculatura ao grupo, reforçando sua posição no mercado brasileiro de software de gestão, do qual detém uma fatia de 41,7%. A despeito da compra de empresas como a Datasul, cujo alvo eram as grandes corporações, a Totvs não desviou seu foco das pequenas e médias empresas, nas quais apostou desde sua criação, em 1983, e que representam 90% de sua base de 24 mil clientes e 80% das receitas. “Ao contrário”, diz Cosentino. “Podemos até investir mais nas grandes empresas, mas o futuro mesmo está nos pequenos e médios negócios.” Da mesma forma, embora esteja presente em 23 países, notadamente na América Latina e nos de língua portuguesa (Portugal, Angola e Moçambique, entre outros ), a internacionalização não parece seduzir o presidente da Totvs.

Em primeiro lugar, porque a fatia de receita gerada pelos negócios no exterior é de apenas 5% do total. Em segundo, porque considera que o grande filão está no Brasil mesmo. “Quando se olha o momento econômico do Brasil e se acredita que ele deva se sustentar por muito tempo, não há como descuidar e abandonar o mercado interno.”

Até aqui, o grupo tem bancado sua expansão mediante a combinação de aportes do BNDES, que hoje detém uma participação de 7% na Totvs, e do lançamento de ações no mercado de capitais, como aconteceu em 2008. “O IPO foi um sucesso junto aos investidores”, diz Cosentino. “Em nenhum momento, mesmo no pior da crise, nossa ação caiu abaixo dos R$ 32 do preço da oferta inicial.” Na verdade, a cotação do papel da Totvs praticamente não parou de crescer, batendo nos R$ 117 no início desta semana. Com isso, o valor de mercado do grupo, que era de R$ 650 milhões no IPO, chegou a R$ 3,5 bilhões na quarta feira de cinzas deste ano.

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