Um bom momento para brasileiro investir lá fora

Clayton Netz

18 de agosto de 2010 | 20h16

OCHMAN

A crise econômica mundial abriu um leque de oportunidades globais para o setor privado nacional. Não apenas para o meio empresarial, mas também para as pessoas físicas. Baseado nessa constatação, o advogado Renato Ochman, titular do escritório Ochman Advogados Associados, de São Paulo, uma espécie de butique jurídica especializada na área de fusões e aquisições, acredita que em poucos momentos na história do País existiu uma conjuntura tão favorável para quem quer investir lá fora.

Gaúcho de nascimento, torcedor de carteirinha do Grêmio de Porto Alegre, Ochman, aos 49 anos, vem registrando neste ano um interesse incomum de parte de empresas brasileiras em busca de internacionalização. “Nosso movimento triplicou no primeiro semestre de 2010”, diz Ochman, que registra hoje 15 negociações em carteira, contra três no mesmo período do ano passado. “São empresas que querem associar-se ou simplesmente adquirir o controle de companhias fora do Brasil.” Segundo ele, o processo de internacionalização, traduzido nos US$ 15 bilhões de investimentos brasileiros diretos projetados pelo Banco Central para 2010, veio para ficar por um bom tempo. “Os ativos nos Estados Unidos e na Europa estão baratos, o que provocou o interesse de uma retomada de investimentos de empresas brasileiras nesses mercados”, diz Ochman.

Para ele, não faz o menor sentido a gritaria de corte xenófobo, que vê no processo de internacionalização o desvio de recursos e exportação de empregos que poderiam estar sendo criados no Brasil. “É uma visão míope. Primeiro, porque os lucros gerados lá fora pagam impostos aqui dentro”, diz Ochman. “Segundo, porque a internacionalização permite às empresas acesso a novas tecnologias, ao aprimoramento gerencial e a formas mais modernas de relacionamento com os consumidores.”

 A possibilidade de se obter excelentes retornos para o capital lá fora não se restringe às corporações, incluindo os investidores pessoas físicas. “Tanto num caso quanto no outro, oportunidade só surge para quem está prestando atenção”, diz Ochman. “Em relação às pessoas físicas, o setor que tem vingado é o imobiliário”. Embora, num primeiro momento, o foco dos investidores individuais tenham sido os imóveis residenciais, começa a haver uma procura por imóveis comerciais, não apenas para renda, mas com vista à valorização patrimonial a médio prazo.

Aí, sustenta o advogado, o mercado mais atraente é o americano, por conta do seu volume de negócios, liquidez e linhas de financiamento. “Não diria o mesmo da Europa, onde há maior regulação, custos mais elevados de manutenção dos imóveis e liquidez mais difícil”, afirma Ochman, que tem viajado pelo menos uma vez por mês para o exterior a serviço dos clientes. “Tem até um amigo meu que diz que sou o único gremista internacional que ele conhece.”

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