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A angústia de não estar ao volante

Cleide Silva

23 Abril 2018 | 16h29

O passageiro entra no carro e, nos primeiros cinco minutos, não tira a visão da estrada. Passados 15 minutos, já está apreciando a viagem e conversando com as demais pessoas do banco traseiro.

É assim que Carla Gohin, vice-presidente mundial de Pesquisa e Inovação do Grupo PSA, descreve as primeiras reações de pessoas que participam de testes de carros autônomos.

“Dá para perceber a angústia inicial por não estarem ao volante”, conta ela. O grupo tem mais de 20 modelos Peugeot 3008 e Citroën C4 Picasso de diferentes níveis de automação em teste na França e em outros países. No ano passado, mais de 50 pessoas passearam nesses veículos.

Mesmo colocando nas ruas carros com o nível mais alto de automação (o cinco), que dispensa o motorista, a empresa mantém um técnico no carro pronto para assumir o comando, se necessário.

Lição. O recente acidente com um carro autônomo da Uber nos EUA, em que uma mulher foi atropelada quando atravessava a estrada escura, trará lições a todas as empresas que desenvolvem esses produtos.

“Estamos aguardando o resultado da investigação sobre o que ocorreu”, diz Carla, que recentemente esteve no Brasil.

Em sua opinião, carros totalmente autônomos deverão chegar ao mercado a partir de 2030 nos EUA, Europa e alguns países da Ásia.

Regiões como América do Sul e África vão demorar muito mais a ver veículos sem motoristas nas ruas. Uma das grandes barreiras será a falta de infraestrutura.

O preço também é ainda impeditivo. Somente os sensores para um autônomo nível 5 custam atualmente 200 mil euros (cerca de R$ 830 mil).

Flexíveis. A estratégia da PSA – e provavelmente de outras fabricantes – é de desenvolver veículos flexíveis, que se encaixem em cada mercado de acordo com suas necessidades e condições. “Nosso desafio é ter tecnologias para responder às expectativas de cada região e não perder mercados”, diz ela.

A PSA investe anualmente de 8% a 9% de suas receitas em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Uma pequena parte desse aporte está em projeto conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O objetivo é desenvolver tecnologias para os carros feitos no Brasil, visando atender as futuras exigências de redução de consumo do programa Rota 2030 – que continua sem data para ser anunciado.

A reunião que estava prevista para amanhã, entre executivos de montadoras e o presidente Michel Temer, foi adiada, mais uma vez…