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Apesar das turbulências, Brasil atrai fabricante de turbos

Cleide Silva

11 de junho de 2019 | 20h45

Tecnologia que vem se consolidando no Brasil, o uso de motor turbo nos automóveis, inclusive nos modelos pequenos, atraiu investimentos da Garret. A empresa que no ano passado se separou da Honeywell já produz no País turbocompressores para caminhões e comerciais leves e decidiu entrar no segmento de leves.

A fábrica da Guarulhos (SP) será ampliada e modernizada para atender a nova linha, que deve começar a chegar ao mercado no próximo ano. Segundo o presidente global da empresa, Olivier Rabiller, que visitou o Brasil nesta terça-feira, 11, a produção da unidade será “triplicada”.

Motores turbo e injeção eletrônica são os itens que passam a equipar grande parte da linha de novos automóveis por proporcionarem, em média, 20% de economia de combustível. Ajudam, portanto, as empresas a atenderem normas ambientais que exigem redução de emissões.

Rabiller diz já ter contratos com “várias” montadoras, sem citar nomes. É provável que a principal delas seja a FCA Fiat Chrysler, que no mês passado anunciou uma fábrica para produzir motores com essa tecnologia e negociava com um fornecedor.

Equivalência

Várias montadoras já oferecem produtos com motores turbo. Das versões produzidas no Brasil, a Volkswagen, por exemplo, tem o equipamento no Polo, Virtus, Golf e T-Cross. A General Motors oferece o turbo nos importados Tracker, Equinox e Cruze, mas a próxima geração da linha Onix, de produção local, terá a tecnologia.

Com o motor turbo, um carro 1.0 hoje tem a mesma potência do 1.8 de anos atrás. Propulsores 1.3 e 1.5 têm desempenho equivalente ao 2.0. Antes, quanto mais potência tinha o motor, mais ele consumia. Agora, a potência maior é sinônimo de consumo menor.

Com as novas tecnologias, no nível de emissões dos carros brasileiros está convergindo com o dos veículos da Ásia e da Europa, diz Rabiller. “Até 2030 os carros brasileiros estarão só um pouco atrás; hoje, estão muito atrás”, diz o executivo.

Ele não quis dar detalhes de investimentos na fábrica, nem números de produção e de novos empregos. Mas afirma que “apesar das turbulências, motores turbo estão chegando à América do Sul e vimos uma oportunidade (para a produção local)”.