BNDES só avaliará empréstimo para Caoa se compra da Ford for oficializada
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BNDES só avaliará empréstimo para Caoa se compra da Ford for oficializada

Cleide Silva

19 de novembro de 2019 | 20h57

Dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC se reuniram nesta terça-feira, 19, em São Paulo, com representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para pedir a liberação de empréstimos para o Grupo Caoa poder comprar a fábrica da Ford.

A planta de São Bernardo do Campo encerrou as operações no dia 30 de outubro sem acerto entre os dois grupos e todos os funcionários foram demitidos. A intenção dos sindicalistas é recuperar parte das vagas fechadas. A fábrica tinha 2,8 mil funcionários no início do ano e, quando fechou, tinha 650 na linha de produção.

Desde fevereiro, quando a Ford anunciou sua saída do ABC, onde produzia caminhões e o modelo Fiesta, o grupo do empresário brasileiro Carlos Alberto de Oliveira Andrade confirma ter interesse no negócio. Segundo fontes do mercado, o Caoa necessita R$ 1 bilhão a R$ 2 bilhões para adquirir as instalações, modernizar a linha de produção e reiniciar a produção.

Segundo o sindicato, o banco de fomento informou não dispor de linhas de financiamento para aquisição de fábricas por grupos privados. Tem, por outro lado, programas para modernização de equipamentos e produtos e introdução de novas tecnologias. Caoa teria, portanto, de obter recursos de outra fonte para realizar a compra e depois recorrer a esse tipo de empréstimo que, de qualquer formar, teria de passar por aprovação do BNDES.

Reunião com Caoa

Estiveram na sede do BNDES na capital paulista o presidente do Sindicato, Wagner Santana, o presidente do Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento (TID), Rafael Marques, o coordenador da subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), Luiz Paulo Bresciani e membros da comissão dos trabalhadores.

Eles falaram com Marcos Rossi Martins, superintendente de Área Industrial do banco, por teleconferência, já que ele estava na sede da instituição, no Rio de Janeiro. O próximo passo dos sindicalistas será marcar uma reunião com o Caoa e também com o governador João Doria (PSDB), que foi quem se colocou à disposição para buscar um comprador para a fábrica que está no ABC há 52 anos.

De acordo com Marques, se a compra fosse efetivada, inicialmente o grupo precisaria de 650 trabalhadores para tocar a linha de produção de caminhões. Há 1,5 mil ex-funcionários da Ford inscritos para disputar essas vagas.

Salários menores

Segundo dirigentes do Sindicato, quando as negociações estavam em andamento, algumas condições foram apresentados pelo grupo Caoa para as contratações, como a de que salários e participação dos lucros (PLR) seriam cerca de dois terços inferiores aos pagos pela Ford. O plano médico também seria inferior.

No último dia de funcionamento da fábrica, Marques informou que o serviço de manutenção em equipamentos feito pelos trabalhadores antes de encerrarem as atividades garantem que a produção de caminhões possa ser retomada em até seis meses. Para a linha de automóveis, o período é de até três anos. “Ou seja, o grupo Caoa teria até abril para assumir a produção”.

 

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