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Brasil terá o primeiro centro para crash test em 2017

Cleide Silva

11 de junho de 2013 | 12h52

SÃO PAULO – O Brasil vai ter seu primeiro centro para testes de colisão de veículos independente das montadoras. O laboratório será construído nas dependências do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), em Duque de Caxias (RJ).

Antes de serem homologados, automóveis vendidos no País terão de passar pelos chamados crash test para verificação de níveis de segurança.

Também serão realizados exames de emissões de poluentes. Para início das operações serão necessários aportes de cerca de R$ 100 milhões. O governo vai assumir os custos, que devem entrar no Orçamento da União em 2014, mas não descarta a participação da iniciativa privada.

A previsão é de que o centro comece os testes até 2017, ano em que os novos carros passam a cumprir as normas do programa Inovar-Auto. Entre elas está a redução mínima de 12% nas emissões de poluentes em relação aos níveis atuais.

“Queremos colocar a indústria automobilística brasileira na rota da competitividade internacional”, diz Otávio Camargo, diretor da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que vai coordenar a criação do Centro de Tecnologia Automotiva Inmetro.

A confirmação do laboratório ocorre algumas semanas após a publicação, pela agência internacional Associated Press, de longa matéria chamando os carros brasileiros de “mortais”.

O texto relaciona a falta de segurança dos veículos nacionais ao número de acidentes de trânsito no País, um dos mais elevados do mundo. O artigo tem como base resultados de testes de colisão de veículos produzidos ou vendidos no Brasil feitos pela Latin NCAP, entidade independente com unidades em diversos países.

Questionado pelas montadoras brasileiras por usar critérios e modelos supostamente diferentes, o resultado dos testes – alguns feitos em 2010 – mostra que os carros brasileiros são menos seguros que os europeus.

As pontuações mais baixas do teste vão para modelos sem airbag e ABS, itens que passam a ser obrigatórios em todos os novos carros a partir de 2014. O artigo também cita má qualidade do material usado nos veículos nacionais, como o aço, e problemas na solda. Os testes foram feitos na Europa.

O centro do Inmetro poderá fazer os testes localmente, usando critérios estabelecidos pela legislação brasileira, que deverá ser aperfeiçoada, segundo Camargo. Eles simulam acidentes com batidas em barreiras e permitem avaliar a deformação do carro, o funcionamento dos itens de segurança e o impacto nos ocupantes.

São usados bonecos com sensores que imitam seres humanos. O presidente do Inmetro, João Jornada, diz que o centro dará apoio a processos de melhoria nas áreas de segurança e emissões veiculares e desenvolvimento de tecnologias locais tanto de veículos quanto de autopeças.

Atualmente, só a Volkswagen e a General Motors têm laboratórios de crash test no Brasil. As demais empresas utilizam os centros de suas matrizes na Europa, Estados Unidos e Japão. (Artigo publicado ontem no Estadão)

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