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Chery traz viga de aço da China para construir fábrica em Jacareí

Cleide Silva

21 de outubro de 2013 | 14h40

SÃO PAULO – Foram necessárias três viagens de navio, com duração média de 30 dias cada uma, e 150 caminhões, em comboios de 20 veículos por vez para transportar, do Porto de Santos à Jacareí, no interior de São Paulo, as vigas de aço que vieram da China. Elas sustentam os edifícios da primeira fábrica de carros chineses no Brasil, a Chery, que será inaugurada em julho.

  

Obras da fábrica que será inaugurada em julho de 2014 (Foto: Tiago Queiroz/Estadão)

Mesmo com os custos de frete, imposto de importação e toda a logística necessária para a importação, incluindo até batedores que acompanharam a subida pela serra, o produto chegou ao Brasil mais barato do que se tivesse sido comprado localmente.

A disponibilidade do material também pesou na decisão de trazer do país sede a estrutura metálica da primeira fábrica completa a ser inaugurada pela Chery em outro país. O grupo tem unidades em algumas regiões, mas só fazem a montagem de veículos com kits (CKDs) fornecidos pela matriz.

“O Brasil é o primeiro país a ter uma fábrica total da Chery fora da China”, informa Luis Curi, vice-presidente da empresa no Brasil. A unidade terá linha de pintura, solda e montagem. O grupo foi fundado em 1997 e é 100% estatal.

No Brasil, a empresa também vai produzir motores 1.0 e 1.5, provavelmente na própria Jacareí, por meio de uma divisão chamada Acteco, com início de operações previsto para o fim de 2014. Para a nacionalização desse componente, que inicialmente será importado, serão acrescidos US$ 130 milhões aos US$ 400 milhões de investimentos anunciados para a construção da fábrica de carros.

Com um prédio praticamente concluído e outros dois em construção, a fábrica tem inauguração marcada para julho. O cronograma inicial era para o fim deste ano, mas chuvas e um embargo ambiental atrasaram a obra.

Em abril começará a produção experimental do Celer, primeiro automóvel da marca a ser nacionalizado. Segundo Curi, não será o modelo importado atualmente, mas uma versão renovada, com mudanças na parte frontal e no interior. “Embora mais abrasileirada, é a mesma versão que será vendida nos demais mercados”.

Economia

Curi não revela qual foi a economia na importação das vigas. Mas a diferença entre custos de produtos no Brasil e na China não é novidade. Além das estruturas metálicas, a Chery vai trazer a cabine de pintura, robôs e equipamentos de teste. Cerca de 60% a 70% do que tem na fábrica virá de fora.

O executivo explica que, além da subsidiária brasileira, a Chery está construindo simultaneamente mais quatro fábricas na China. “A negociação para a compra de matéria-prima e equipamentos foi toda feita em conjunto, o que reduziu os preços para todas as unidades, já que a quantidade é muito maior”.

Uma das novas unidades chinesas é em parceria com a israelense Qorus para a produção de um veículo de luxo que disputará mercado com Audi, BMW e Mercedes-Benz.

O novo Celer que estreia no Brasil é o primeiro projeto de Hakan Saracoglu, que após 15 anos na Porsche assumiu em fevereiro o comando do centro de design da Chery em Xangai.

Em 2015 a fábrica iniciará a produção de um segundo modelo, por enquanto identificado como Projeto S15, um subcompacto que deve substituir o QQ. No ano seguinte, entram em linha mais dois produtos, o S31 (hatch) e o S32 (sedã), ambos ainda em desenvolvimento na China.

No primeiro ano de operação a Chery do Brasil deve produzir 50 mil carros, volume que irá a 100 mil em 2016 e a 150 mil em 2018, quando os chineses apostam num mercado doméstico total de 5 milhões de veículos.

A fábrica de Jacareí também vai fornecer modelos para países como Argentina, Uruguai, Chile e Venezuela, atualmente abastecidos pela China. Esses países da América do Sul devem consumir cerca de 60 mil veículos da marca em 2014 e o Brasil, 30 mil, prevê Curi.

Este ano, contudo, a marca venderá cerca de 10 mil carros, num mercado que deve consumir 3,6 milhões de automóveis e comerciais leves. Curi credita o baixo desempenho às medidas de restrição às importações adotadas pelo governo brasileiro, só amenizadas depois que a Chery habilitou-se ao Inovar-Auto, programa que oferece benefícios para empresas que terão fábricas locais. O melhor ano da marca foi em 2011, com 27 mil unidades vendidas.

Na China, a Chery é a sétima maior montadora e a primeira entre as marcas independentes (sem joint venture com grandes fabricantes, como Volkswagen e General Motors). A marca vende em média 600 mil carros por ano.

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