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Cresce financiamento de veículos, exceto para consumidores de baixa renda

Cleide Silva

27 de junho de 2019 | 21h29

O número de carros novos vendidos por meio de financiamento bancário a pessoas físicas cresceu 7,3% no primeiro trimestre em relação a igual período de 2018, totalizando 150,6 mil unidades. Para usados a alta foi de 2,5%, chegando a 491,4 mil veículos. Na soma dos dois o volume ficou praticamente estável em unidades, embora tenha aumentado 9,4% em valores, num total de R$ 16,3 bilhões.

O segmento de motos teve melhor desempenho, com 72,6 mil unidades financiadas de janeiro a março, 29,3% a mais que no ano anterior. O valor dos contratos aumentou 37,3%, para R$ 867 milhões.

Os dados divulgados neste quinta-feira, 27, pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) são referentes aos negócios de cinco dos maiores bancos privados que atuam com crédito para veículos e representam 75% do mercado total brasileiro, segundo a entidade.

É a primeira vez que a Febraban realiza o levantamento que, daqui para frente, será feito semestralmente – os dados do primeiro semestre serão divulgados provavelmente em agosto.

“O resultado da pesquisa mostra que o apetite para financiamento está forte, apesar de um cenário econômico não tão favorável”, diz Leandro Vilain, diretor de Negócios e Operações da Febraban.

Baixa renda 

O apetite está maior entre consumidores com renda mensal entre R$ 6 mil e R$ 10 mil, que ampliaram contratos em 9,7% na comparação com os primeiro trimestre de 2018. Na sequência vêm aqueles com renda entre R$ 3 mil e 6 mil (alta de 8%), seguida por tomadores de crédito com renda entre R$ 10 mil e R$ 15 mil (7,3%) e acima de R$ 15 mil (4,5%).

A única faixa que apresentou queda foi a que recebe até R$ 3 mil ao mês, ou seja, a mais baixa, provavelmente a que mais sofre com o desemprego.

Para Vilain, uma das possíveis explicações para o crescimento do total de veículos financiados é o aumento do número de profissionais que, em razão do desemprego, passou a trabalhar como autônomo, com aplicativos de entrega de produtos (caso dos motoqueiros que trabalham com o iFood) e transporte de pessoas (Uber, por exemplo). “O carro e a moto têm sido um instrumento de trabalho.”

Jovens à frente

Outra constatação da pesquisa é que consumidores com 18 a 25 anos foram os que mais buscaram crédito – o crescimento foi de 8,5% em relação aos primeiros três meses do ano passado. Embora o levantamento não indique o tipo de produto adquirido, é provável que esses jovens tenham buscado crédito principalmente para a compra de motos, cujas parcelas são mais baixas do que a dos automóveis, principalmente os novos.

Na faixa etária entre 36 a 45 anos houve crescimento de 6,5% na contratação de financiamento bancário. Nas demais faixas a alta foi mais discreta: 1,9% entre os que têm entre 26 e 35 anos, 1,5% para aqueles com mais de 60 anos e apenas 0,4% para consumidores com 46 a 60 anos.

 

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