Do aeroporto de Guarulhos à Av. Paulista em 7 minutos, em um drone de passageiros
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Do aeroporto de Guarulhos à Av. Paulista em 7 minutos, em um drone de passageiros

Cleide Silva

30 de maio de 2019 | 13h02

Enquanto montadoras se preparam para a era dos carros autônomos, a indústria da aviação também trabalha com afinco no desenvolvimento de aeronaves movidas a energia e sem pilotos, os chamados veículos elétricos de decolagem e pouso vertical (eVTOL, na sigla em inglês) ou drones de passageiros.

Os primeiros projetos são meio drones e meio helicópteros futurísticos, alguns com design viável e outros meros exercícios de imaginação. São voltados principalmente para o transporte de poucas pessoas em curta distância.

Protótipo do ‘táxi voador’ da Embraer em parceria com o Uber

Há mais de dez projetos em estudo por empresas como Airbus, Boing, Audi, Uber, Rolls Royce, startups variadas e Embraer. A única brasileira do grupo desenvolve protótipo em parceria com o Uber, chamado de Uber Elevate.

A plataforma de transporte de passageiros via aplicativo quer levar o mesmo modelo usado nos automóveis para as aeronaves. Promete iniciar testes com seu táxi voador já no próximo ano e colocá-lo no mercado em 2023. A maioria dos analistas, contudo, preveem o uso comercial desse tipo de voo a partir 2025.

Detalhes sobre o estágio do projeto, que tem também a Nasa como parceira, serão divulgados no dia 11 de junho, em um evento nos Estados Unidos. Hoje, ainda é um conceito no computador dos experts da Embraer em São José dos Campos (SP).

A ideia é que esses veículos voadores sejam movidos a energia (para não poluir e não fazer barulho), decolem e pousem de forma vertical (em pontos a serem espalhados pelas cidades, como os helipontos) e sejam autônomos (não precisa de piloto) e tenham preço acessível.

Aerovias

Além de trabalhar no projeto com o Uber, a Embraer está indo além em outras áreas da cadeia dos veículos verticais. Nesta semana, fez parceria com a Weg, fabricante de motores elétricos, para o desenvolvimento de propulsores movidos a eletricidade para aeronaves. A eletrificação é um dos passos para a autonomia.

A Embraer também anunciou que iniciará estudos sobre como será o gerenciamento do tráfego aéreo urbano futuro, onde vão coexistir aviões, carros voadores, helicópteros e drones de inspeção e de entregas. A ideia é criar “aerovias” ou “avenidas” dedicadas aos veículos voadores autônomos.

São Paulo

A Porsche Consulting tem um amplo trabalho que projeta o tamanho do mercado mundial de drones para passageiros nos próximos 16 anos. A consultoria prevê que em 2025 haverá 500 aeronaves eVTOL de passageiros. Em 2030, esse número deve aumentar para 2 mil e atingir 15 mil em 2035.

Segundo a Porsche, desses veículos voadores 45% estarão na região da Ásia-Pacífico, 30% nas Américas e 25% na Europa e resto do mundo.

A cidade de São Paulo – que foi uma das candidatas a testar o táxi voador do Uber/Embraer –, a consultoria projeta aproximadamente 1.050 drones de passageiros em 2035. Pelos cálculos de Renate Fuchs, sócia da Porsche Consulting, um voo do aeroporto de Guarulhos até a avenida Paulista hoje levaria hoje 7 minutos, a um preço de R$ 300. De táxi comum seriam de 35 a 60 minutos, a R$ 130.

Quantas pessoas estariam dispostas a pagar esse preço e escapar do trânsito caótico?

 

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