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Falta de bancos já parou fábricas da VW por 56 dias

Cleide Silva

18 de maio de 2016 | 13h55

SÃO PAULO – A suspensão de entrega de bancos por parte do grupo Prevent, dono de várias fábricas do segmento, já levou ao acúmulo de 56 dias de paralisação na produção das três fábricas de automóveis da Volkswagen no Brasil. Desde o primeiro trimestre do ano passado, quando os problemas começaram, cerca de 35 mil veículos deixaram de ser produzidos, segundo informa a montadora em nota distribuída hoje.

Hoje a montadora completa três dias de linhas paralisadas. Há uma possibilidade de retorno parcial de operações na parte da tarde, mas isso depende do recebimento de uma pequena carga prometida pela Keiper, uma das empresas do grupo, também proprietário da Mardel e da Cavelagni. As três fabricantes foram adquiridas pelo Prevent a partir de janeiro de 2015.

Em nota, a Volkswagen afirma que “o descumprimento reiterado dos contratos por parte das empresas do braço brasileiro do grupo Prevent não é mero desalinhamento comercial. As recorrentes ameaças ou ações de fato que ocasionam novas paradas às linhas da VW do Brasil, pela paralisação injustificada do fornecimento de peças, são acompanhadas de solicitações sucessivas de aumento abusivo de preços e pagamento injustificado de valores sem respaldo contratual ou econômico para as empresas do Grupo Prevent.

A Volkswagen diz ainda que “a atitude do grupo multinacional Prevent afeta os mais de 12 mil funcionários nas linhas de produção da VW e também toda a sua cadeia de fornecedores diretos, formada por centenas de empresas e seus milhares de empregados, além de afetar a arrecadação de tributos pelo Poder Público e prejudicar a economia.”

A Fiat também está com a produção paralisada na fábrica de Betim (MG) desde quinta-feira por falta de estruturas metálicas usadas na carroceria fornecidas pelo mesmo grupo que alega que as duas fabricantes não cumprem contratos e têm dívidas com o fornecedor.

A suspensão da produção nas duas maiores montadoras do País ocorre num momento de mercado totalmente retraído – de janeiro a abril as vendas caíram 28% em relação a igual período de 2015. Em razão disso, a maioria das empresas do setor estão adotando medidas de corte de produção, como lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho), adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE) – que reduz jornada e salários, além de férias coletivas e licença remunerada.