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Kombi, 56 anos, se despede do consumidor brasileiro com ‘testamento’

Cleide Silva

29 Novembro 2013 | 20h34

 SÃO PAULO – Tradicionalmente, as montadoras fazem campanhas publicitárias para lançar ou vender carros. A Volkswagen, contudo, tem investido numa inédita ação de “deslançamento” da Kombi, que deixará de ser fabricada em 20 de dezembro.

Como parte da despedida, a empresa publica hoje anúncio em formato de “testamento” do mais antigo veículo em produção no mundo. Aos 56 anos, a perua sai de linha porque não tem condições de receber airbag e freios ABS, itens de segurança que passam a ser obrigatórios a partir de janeiro.

Para a inusitada campanha publicitária de despedida da Kombi, a Volkswagen escolheu 15 proprietários que enviaram histórias sobre o modelo e fez uma relação de mimos a serem entregues como “últimos desejos antes de partir definitivamente”, como miniaturas, tapetes, calotas e placas em bronze.

Segundo a Volkswagen, o anúncio é uma forma de agradecer o carinho de quem fez parte da história da perua. “A Kombi é um ícone na indústria mundial que, além do sucesso de vendas, tem um enorme carisma. Muita gente tem uma boa história com o modelo, seja como o veículo da família, do trabalho ou que o levava para a escola”, afirma Marcelo Olival, gerente executivo de Vendas e Marketing da Volkswagen.

O anúncio em forma de testamento, por exemplo, “deixa” a Noel Villas Bôas, filho do sertanista Orlando Villas Bôas, uma miniatura do modelo da época, “feita em barro, representando a lama que enfrentamos juntos”. E a Miriam Maia, “que nasceu dentro de mim, deixo a réplica do meu primeiro esboço”.

Outro “desejo” é que os “parentes” se reúnam na fábrica no dia 8, quando a Volkswagen fará uma exposição de diversos modelos em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, aberta ao público. Por último, pede para “voltar para casa”. Sem dar detalhes, a empresa informa que “o desejo será realizado e todos acompanharão seu caminho de volta ao lar no filme e que estreará em janeiro.”

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Na primeira etapa da campanha de despedida, em setembro, a Volkswagen lançou a última edição da Kombi, uma versão especial na cor azul e branca, conhecida como saia e blusa, com itens mesclando o modelo atual com mais antigos. Ao preço de R$ 85 mil (a normal custa R$ 50 mil), foram feitas 1,2 mil unidades da “Last Edition”, como foi chamada. Ainda há exemplares à venda nas lojas, informa a fabricante.

Mille

Nos próximos dias, a Fiat também vai lançar uma versão de despedida do Mille, que sai de linha pelo mesmo motivo da Kombi. O compacto está no mercado há 30 anos. A última edição terá preço similar ao do atual, que custa de R$ 22 mil a R$ 25 mil.

Embora a lei determine o fim da produção em dezembro, Kombi, Mille e outros modelos sem airbag e ABS podem ser vendidos até março.

A Kombi vendeu até agora mais de 1,5 milhão de unidades. O Fusca, em 30 anos de Brasil, vendeu 3,1 milhões de unidades, mas era o compacto mais popular do País. Só neste ano, até outubro, foram 20.138 unidades da Kombi, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
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