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Pirelli quer colocar 1,5 mil trabalhadores em lay-off

Cleide Silva

01 Abril 2015 | 20h04

SÃO PAULO – Com o pior trimestre em vendas dos últimos seis anos, a indústria automobilística está arrastando outros segmentos da cadeia produtiva. A Pirelli, uma das principais fabricantes de pneus do País, pretende colocar 1,5 mil trabalhadores em lay-off (suspensão dos contratos de trabalho) por cinco meses, o equivalente a 12,5% de toda sua mão de obra nas quatro fábricas do Brasil.

A empresa informa que pretende adotar a medida no fim de abril ou início de maio, mas ainda negocia com os sindicatos dos borracheiros das cidades de Santo André (SP), Campinas (SP), Gravataí (RS) e Feira de Santana (BA)onde estão instadas as fábricas. A Pirelli não adianta o que fará caso o lay-off não seja aceito pelos trabalhadores.

A Pirelli alega necessidades de ajuste “frente ao cenário econômico nacional e ao andamento negativo do setor automotivo.” De janeiro a março, as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus somaram 674,4 mil unidades, uma queda de 17% em relação ao mesmo período de 2014.É o mais baixo volume desde 2009, quando foram vendidos 668,2 mil veículos no primeiro trimestre.

Dados do mercado indicam que, em março, foram licenciados 234,6 mil veículos, o pior desempenho para o mês em sete anos. Em relação a igual mês do ano passado, houve queda de 2,5%, mas aquele mês teve 18 dias úteis, em razão do feriado de carnaval, ante 22 dias em março deste ano.

No comparativo com fevereiro, foi registrado aumento de 26,1%, também em razão do menor número de dias úteis. Se for levada em conta a média de dias úteis, as vendas caíram 2,48% em relação a fevereiro e 20% na comparação com março de 2014.

Rápida deterioração

O executivo de uma das grandes montadoras do País diz que a deterioração do mercado tem sido muito rápida. Ele lembra que, após dez anos seguidos de crescimento, o mercado teve retração de quase 1% em 2013 e de 7% em 2014. Para este ano, a previsão da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) é de uma queda de 10%, embora analistas projetem mais que isso.

A Roland Berger, por exemplo, projeta queda de 13% nas vendas de automóveis e comerciais leves neste ano. “Não há sinais de recuperação do mercado e da confiança dos consumidores”, diz o diretor da consultoria, Stephan Keese. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que até agora vinha trabalhando com estabilidade nas vendas, vai rever essa projeção na próxima semana, para números negativos.

Para o executivo, um dos fatores de preocupação é o fato de o mercado ainda está sendo sustentado por promoções e por vendas diretas da fábrica, feitas a locadoras e frotistas com elevados descontos. Nesse primeiro trimestre, quase 29% das vendas foram diretas.

“É um grande sinal de fragilidade, pois no momento em que locadoras e frotistas reduzirem as vendas o risco para o setor é enorme”, diz o executivo.

Corte de produção

Medidas para reduzir a produção tem sido anunciadas por quase todas as montadoras. A Volkswagen vai colocar novo grupo de 570 trabalhadores da fábrica de São José dos Pinhais (PR) em lay-off a partir de segunda-feira, dividido em três etapas ao longo deste mês. A empresa já vem fazendo esse “rodízio” há um ano.

Na Volvo, em Curitiba (PR), 1,7 mil trabalhadores voltam de férias coletivas de 20 dias na próxima semana e a empresa negocia com o Sindicato dos Metalúrgicos local se adotará o lay-off ou um Programa de Demissão Voluntária (PDV)para parte desse pessoal.