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Sem acordo, demissões na Mercedes devem começar em setembro

Cleide Silva

18 de agosto de 2015 | 20h38

 

SÃO PAULO – Após encontros nesta segunda e terça-feira, dias 17 e 18, terminou em impasse a tentativa do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e da direção da Mercedes-Benz de um acordo que evite demissões na fábrica de São Bernardo do Campo (SP).

A montadora de ônibus e caminhões alega ter 2 mil trabalhadores excedentes, ou 20% de seu quadro total, e mantém intenção de iniciar cortes a partir de 1º de setembro.

As partes tentavam um acordo para adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que prevê redução de jornada e salários em até 30%. Segundo o sindicato, contudo, a montadora insiste que só o PPE não é suficiente para estancar a crise atual e quer também reduzir reajuste salarial pelo INPC e congelar a evolução salarial em 2016.

Essa proposta foi recusada por 70% dos trabalhadores no início de julho e, na sequência, a empresa informou que faria as demissões, pois opera com 50% de ociosidade. No sábado, trabalhadores da empresa decidiram, em assembleia, negociar o PPE, mas sem cortes de benefícios.

“Lamentavelmente, face à intransigência da empresa, não houve acordo”, disse Sérgio Nobre, diretor do sindicato. Segundo ele, a empresa não aceitou sequer discutir alternativas com os trabalhadores após a volta, na segunda-feira, dos 7 mil trabalhadores da produção que estão em licença remunerada desde o dia 7, e informou que vai iniciar demissões antes do retorno do pessoal.

“Obviamente não vamos aceitar isso e vamos imediatamente iniciar um processo de luta”, afirmou Nobre.

Em nota divulgada nesta noite, contudo, a empresa mantém a data de 1º de setembro para as demissões. Confirmou também que “a adoção isolada do PPE não será suficiente para continuarmos a administrar o contínuo excesso de pessoas na unidade, considerando a nossa atual ociosidade de quase 50% na fábrica, além das expectativas negativas de recuperação do mercado em 2016.”

Volkswagen

Em Taubaté (SP), funcionários da Volkswagen mantiveram greve iniciada na segunda-feira contra 50 demissões. A empresa alega ter 500 funcionários excedentes, de um total de 5 mil, e o Sindicato dos Metalúrgicos local teme novos cortes.

Na tarde desta quarta-feira, 19, haverá uma reunião com intermediação da Secretaria do Trabalho do Estado de São Paulo e da Superintendência do Ministério do Trabalho para buscar um entendimento entre empresa e sindicato.

Em São José dos Campos (SP) também estão em greve desde o dia 10 os funcionários da General Motors, em protesto contra quase 800 demissões ocorridas na empresa. Só neste ano, até julho, as montadoras demitiram 8,8 mil trabalhadores.

 

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