Ação da Log-in sofre com forte oscilação após oferta subsequente

Fernanda Guimarães

26 de novembro de 2019 | 04h00

A oferta subsequente de ações (follow on) da empresa de logística Log-in, na semana passada, chamou atenção do mercado, principalmente de sua base acionária de pessoas físicas, de pouco mais de 8,3 mil pessoas. Recém saída de um processo de reestruturação de dívidas, a Log-in fechou uma oferta que injetou no caixa da empresa cerca de R$ 550 milhões. O recurso será utilizado para investimentos, que permitirão, depois de um período de ajuste de contas, aumentar sua capacidade. Na oferta, o papel recebeu o preço de R$ 14,50, com desconto de 28% em relação ao valor no dia em que a operação foi anunciada, quando estava em R$ 20,23. A questão é que a empresa não tinha liquidez. Na hora de precificar a oferta, o preço em “tela” (o preço da ação negociado na bolsa) acabou sendo pouco utilizado. O processo para chegar ao valor final acabou sendo mais próximo de uma abertura de capital.

Questão de demanda. Em ofertas de ações, as conversas com investidores priorizam planos para o futuro, mas esse não foi o mesmo “script” em uma empresa que passou pelo chamado “turnaround”, no jargão do mercado. Os investidores querem saber do passado e foi assim no caso da Log-in. No fim, a demanda superou em 30% o volume ofertado. Puderam participar apenas investidores qualificados. No total entraram menos de 40 investidores, mas um fundo gringo de peso garantiu a oferta. Já o fundo Alaska, que possui 55% da Log-in, participou do aumento de capital.

Vai e volta. Fontes de mercado dizem que a ação ainda encontrará sua estabilidade. No dia seguinte, o papel chegou a cair quase 20% – mas fechou com alta de 6% -, indicando que investidores aproveitaram a queda para comprar a ação. Hoje, a ação caía, há pouco, quase 14%, em R$ 16,80, ainda acima do preço em que a ação foi precificada. Além disso, no dia 8, quando a oferta foi anunciada, havia na B3 121.215 ações alugadas, ou um volume financeiro correspondente a R$ 2,5 milhões. No dia 21, quando o papel foi precificado, o número de ações alugadas no mercado saltou quase 8 vezes, para R$ 27,65 milhões. Quando o investidor aluga ações no mercado, sua aposta é que o preço da ação vai cair: ele aluga, vende no mercado, e esperar recomprar, para devolver o papel ao “doador”, por um preço mais baixo. Procurada, a Log-in não comentou.

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