Fintechs driblam crise para continuar emprestando para micro, pequenas e médias empresas

Fintechs driblam crise para continuar emprestando para micro, pequenas e médias empresas

Cynthia Decloedt

08 de abril de 2020 | 04h45

As plataformas de crédito para pequenas, médias e micro empresas, assim como para as pessoas físicas, estão debruçadas nesse momento em manter suas carteiras operando, enquanto aguardam pelas linhas do governo que lhes darão recursos para continuar emprestando. Por enquanto, vale a criatividade para algumas, como aceitar o celular em garantia, ou para minimizar a inadimplência, redução na margem de lucro ou quase o perdão do juro dos empréstimos por dois meses. A demanda das empresas nessas plataformas tem sido crescente, já que as portas dos bancos se fecharam para várias delas e algumas chegam somente para levantar caixa onde for possível e garantir a travessia da crise.

Mas a disponibilidade de recursos das fintechs para atender a todos é restrita. Por enquanto, apenas as autorizadas no Banco Central a operar como Sociedades de Crédito Direto (SCD), que realizam empréstimos para empresas, terão suporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para repassar um crédito de R$ 5 bilhões as pequenas e medias empresas para capital de giro. As SCDs credenciadas somam cerca de nove.

Entre as que estão abrindo mão de parte de seu lucro nos meses de abril e maio está a Zoop, que tem 15 mil lojistas em sua base de clientes, e deixou de repassar o custo mais alto do dinheiro que toma para emprestar junto a investidores, agora preocupados com a crise. Com isso, quer manter a concessão nos R$ 250 milhões mensais, em linha com a média praticada antes do Covid-19. ?Entendemos que esse momento é de fundamental importância para a sobrevivência de muitos negócios conectados à nossa plataforma”, relata o diretor financeiro da Zoop, Dan Faccio.

A BizCapital, fintech de crédito voltada a empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões ao ano, está dando 60 dias de moratória à sua base de clientes e jogando o juro desse período para o final do contrato. Mesmo reconhecendo que esse alongamento pode impor risco, o sócio-fundador da BizCapital, Francisco Ferreira, diz que ?essa é uma forma de ajudar e reter clientes que nos escolheram no passado?. A BizCapital está, no entanto, repassando o risco de crédito para seus clientes.

A fintech aguarda pelos desdobramentos de conversas à respeito do apoio do BNDES aos fundos de investimento que dão liquidez para atender a demanda em sua plataforma, que superou sua capacidade de emprestar. A BizCapital verificou aumento de 20% na demanda em março deste ano em comparação ao ano passado. Ferreira explica que ao empurrar parcelas em 60 dias, o volume de recursos disponíveis para novos empréstimos diminui.

Outra que aguarda pelo ?funding? do BNDES é a Cacau Crédito, que não é uma SCD e empresta a partir da antecipação de recebíveis. Atualmente, está concedendo empréstimos somente para seus clientes. No entanto, reforçou sua capacidade de processamento robotizado para atender uma nova demanda de pedidos de antecipação de recursos por meio de notas fiscais. A dificuldade maior enfrentada pela fintech nesse momento está na checagem do perfil de crédito do tomador, a qual acredita está relacionada ao excesso de tráfego e de operações remotas. Além disso, como as micros, pequenas e médias empresas não estão vendendo, não há recebíveis para descontar.

Pessoa física

No crédito pessoal, a fintech Bulla, com três meses de operação, aposta que seu modelo de negócio deve atravessar a crise com eficiência. A aposta é de que os investidores, na maioria novos aposentados com poupança entre R$ 50 mil a R$ 300 mil, continuarão buscando retorno, alimentando a demanda por empréstimos de pessoas físicas, da classe C, bancarizados e com renda mensal de um salário mínimo pelo menos.

Os empréstimos são concedidos por faixas de risco e oferecem retornos fixos aos investidores, que vão de 1,7% a 5,5% ao mês. O que mantém a confiança do sócio fundador do Bulla, Marcelo Vilella, é o fato de as transações serem feitas diretamente, entre tomador e investidor, diminuindo o risco de inadimplência. De toda forma, Vilella reconhece alterações no comportamento dos investidores em consequência do Covid-19, citando que alguns deles, bastante assíduos, estão reduzindo o montante investido e encurtando os prazos.

Já a SuperSim, de crédito 100% online para pessoas físicas das classes C e D e negativados, está aceitando celulares como garantia do empréstimo. Com tecnologia fornecida pela PayJoy, a fintech consegue bloquear o celular se a dívida não for paga.

Contato: colunabroadcast@estadao.com

 

 

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