2022 deve ser o pior ano em captações externas desde a Lava Jato

2022 deve ser o pior ano em captações externas desde a Lava Jato

Cynthia Decloedt

01 de julho de 2022 | 05h30

A Braskem foi uma das empresas que fizeram recompra de bonds  Foto: Daniel Teixeira/AE

O estresse que assola o mundo financeiro desde fevereiro fechou as portas não só da bolsa, mas também do mercado de dívida externa, no qual várias companhias brasileiras vão buscar recursos. Os US$ 4,9 bilhões emitidos pelo Brasil em títulos de dívida (bonds) no exterior este ano somados à perspectiva de alta no juro norte-americano (que baliza o custo dessas operações), sinalizam que 2022 será o pior ano, em termos de volume, desde 2015, quando o escândalo da Lava Jato tirou o País daquele mercado. Naquele ano, as empresas brasileiras levantaram US$ 7,5 bilhões com emissões de bonds lá fora.

Incerteza sobre tamanho da alta de juro nos EUA trava operações

Para chegar ao total captado em 2015, ainda faltam US$ 2,6 bilhões. Algumas empresas que tradicionalmente acessam o mercado de dívida externa aguardam uma oportunidade. Mas poucos apostam na chegada de alguma nova operação, em um momento sem clareza sobre o tamanho da alta de juro dos EUA e no qual pairam dúvidas quanto a uma eventual recessão.

Segundo o responsável pelo mercado de capitais de dívida do BofA no Brasil, Caio de Luca, as empresas brasileiras estão com bons balanços, sem pressão adicional para ir ao mercado e pagar por essa volatilidade. Por isso, têm optado pelo mercado local, que está bastante aquecido.

Volume mais baixo de captações não é exclusividade das empresas brasileiras

O volume mais baixo de captações lá fora – que estão 66% menos do que no primeiro semestre de 2021 – não é exclusividade das empresas brasileiras. De modo geral, as feitas por países da América Latina estão 50% abaixo do ano passado, enquanto o volume de emissões de empresas norte-americanas sem grau de investimento caiu 75%, segundo de Luca.

O mercado de dívida externa, principalmente o norte-americano que é muito líquido, é bastante utilizado pelas empresas de todo o mundo para terem acesso a volumes maiores de recursos e a prazos mais longos. O efeito positivo do aumento da volatilidade tem se dado nos preços dos bonds no mercado secundário, que tem caído.

Isso favorece o jogo de emitir no Brasil e usar os recursos para recomprar bonds. Braskem, Vale, Klabin, Petrobras e Ultrapar são algumas das que fizeram o movimento este ano.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 30/06/22, às 16h48

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