Diretoria da Petrobrás acompanhou votos do STF como se fosse final de Copa do Mundo

Diretoria da Petrobrás acompanhou votos do STF como se fosse final de Copa do Mundo

Irany Teresa

02 de outubro de 2020 | 05h20

Ministro Edson Fachin durante sessão online virtual do STF. FOTO:  STF

 

Os diretores da Petrobras acompanharam os votos dos ministros do Supremo Tribunal Federal pela transmissão ao vivo como se estivessem assistindo a uma final de Copa do Mundo. Por um grupo no WhatsApp, com a participação de técnicos do Departamento Jurídico da companhia, comentavam cada declaração dos magistrados tentando decifrar se o voto que ainda não havia sido proferido seria contra ou a favor a venda das refinarias sem necessidade da aprovação do Congresso.

Até o final o clima foi de muita incerteza. A única convicção girava em torno dos três votos contrários de dez dias atrás, do relator Edson Fachin, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski, na sessão que fora suspensa por causa da apresentação de um destaque. De resto, ninguém arriscava palpite. Havia uma insegurança absoluta em relação ao resultado do julgamento.

Diretoria se perguntava como seria em caso de empate

A apreensão aumentava à medida que o julgamento corria, diante da possibilidade de um empate. Quando o ministro Marco Aurélio Mello votou por suspender a venda, deixando o placar em 5 a 4 a favor da venda sem consulta aos parlamentares, os executivos perguntavam se como seria em caso de jogo empatado, já que o ministro Celso de Mello não participava da sessão. O número ímpar (11) de integrantes da Suprema Corte tem justamente a função de o presidente ser o voto de Minerva.

Quando o presidente Luiz Fux tomou a palavra e usou o termo “indeferir”, foi um desespero. Mal haviam percebido que o magistrado havia dito que iria discordar do relator, Fachin. Foram alguns segundos, apenas. Ao ficar claro que o ministro estava votando pela continuação do processo de venda, foi uma explosão.

Decisão não muda andamento das vendas

A decisão do STF, porém, não mudará o andamento atual da venda das oito refinarias. Apenas duas estão já em fase final de negociação: a Repar, do Paraná, que está sendo negociada com o consócio Ultrapar, formado pela Raízen (Cosan e Shell) e a chinesa Sinopec; e a RLAM, da Bahia, negociada ao fundo Mubadala, de Abu Dhabi. A venda, que em junho do ano passado foi aprovada pelo Cade, inclui ainda as refinarias Rnest (PE), Regap (Minas), Refap (RS), Reman (AM), Lubnor (CE) e SIX (PR).

A conclusão da venda da RLAM deve acontecer até o fim do ano, mas os recursos só devem entrar no caixa da empresa no início do ano que vem. A da Repar deve estar concluída no primeiro trimestre. Os valores ainda estão sob sigilo. Na semana passada, a corretora XP Investimentos estimou que todos os ativos que a Petrobras pretende vender, incluindo as refinarias, devem render para a empresa entre R$ 89 bilhões e R$ 115 bilhões.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 01/10/2020, às 19:11:23 .

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