Verde, de Stuhlberger, previu e fez ‘campanha’ por aceleração de vacinação contra a covid

Verde, de Stuhlberger, previu e fez ‘campanha’ por aceleração de vacinação contra a covid

Cristiane Barbieri

15 de junho de 2021 | 18h00

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O primeiro alerta público de que a vacinação contra a covid-19 estava aquém do ritmo possível – mesmo com o atraso nas encomendas de imunizantes – foi dado por Daniel Leichsenring, economista-chefe da Verde Asset. Em artigo veiculado no fim de maio, no ‘Brazil Journal’, ele mostrava em gráficos as entregas em curvas estáveis e ascendentes, enquanto as doses aplicadas permaneciam numa linha praticamente reta.

No mercado financeiro, em que mudanças na expectativa de retomada significam ganhos ou perdas grandes em investimentos, o Verde preferiu tornar suas estimativas públicas – o que levou concorrentes e o mercado de maneira geral a fazer suas próprias contas e se posicionar em relação ao cálculo.

No texto, Leichsenring pedia a mudança de critérios para a vacinação. Em sua análise, o descompasso seria causado por estoques para a segunda dose ou por cálculos em relação aos portadores de comorbidade – que não teriam correspondido à realidade. Isso porque os postos de vacinação continuavam sem filas – e com estoques – enquanto a demanda reprimida explodia.

Investidor questionou posicionamento do governo

O movimento foi encarado como uma “campanha” pela vacinação, uma vez que o Verde poderia ter lucrado sozinho. Em março, Luis Stuhlberger, sócio da gestora, foi o primeiro grande investidor a vir a público questionar o posicionamento do governo federal no combate à doença, em entrevista ao ‘Estadão/Broadcast’.

Duas semanas após a publicação do artigo de Leichsenring, o governo de São Paulo antecipou a vacinação por faixas etárias e criou uma espécie de “corrida” com outros Estados, para se tornar o primeiro a vacinar toda sua população – e ganhar pontos na corrida eleitoral. Segundo fontes, o impacto do texto no governo do Estado teria sido grande.

Segundo a secretaria de Saúde, não houve erros de cálculos, mas aumento na previsão de entregas de vacinas. O governo também diz que trabalha de calculadora na mão na hora de tomar decisões e não foi impactada pelos cálculos de Leichsenring. De todo modo, ficou claro, mais uma vez, como a falta de coordenação do governo federal atrapalha a retomada. O Rio vem registrando turismo de mineiros e paulistas, atrás de vacinas.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 15/06, às 09h51.

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