A cada R$ 1 de receita, Natura gera impacto socioambiental de R$ 1,50

A cada R$ 1 de receita, Natura gera impacto socioambiental de R$ 1,50

Cristiane Barbieri

31 de maio de 2022 | 05h30

A Natura fechou as contas de seu primeiro IP&L, relatório que integra ganhos e perdas (na sigla em inglês), para medir e reportar os efeitos ambientais e sociais de suas atividades. Como resultado, descobriu que, entre externalidades positivas e negativas, causou impacto de R$ 18,2 bilhões a partir de seus negócios. Em outra métrica, para cada R$ 1 de receita, conseguiu gerar R$ 1,50 em impacto socioambiental positivo (ver quadro acima).

A conta era aguardada. Conhecida por liderar a busca por boas práticas ESG (sociais, ambientais e de governança) no País, a Natura abre caminho para que outras empresas possam entender o percurso e, eventualmente, pegar um atalho para adotar contabilidade semelhante. Para a Natura, impacto tende a ser o novo lucro das empresas.

Companhia vai divulgar metodologia de cálculo

“Esse é o resultado de anos de trabalho e assumimos o compromisso de divulgar publicamente a metodologia interna”, diz Silvia Vilas Boas, responsável pela área financeira da Natura&Co América Latina. “As outras empresas não podem levar décadas nesse caminho porque simplesmente não temos todo esse tempo.” Para isso, hoje (31) será realizado o primeiro seminário virtual sobre o IP&L, no qual serão apresentados os números e a metodologia.

O principal objetivo da ferramenta é atribuir valor econômico aos impactos positivos e negativos e ajudar as companhias a fazerem escolhas de investimento e estratégias de negócios para melhorá-los. Para isso, a empresa debruçou-se sobre o capital humano (em itens como treinamento, remuneração, dívidas e inclusão), social (reforço para a comunidade e compartilhamento de benefícios) e natural (uso da água, poluição e mudança climática, entre outros). Conectou os valores encontrados ao negócio.

Externalidades negativas

Ao colocar os dados no papel, a Natura percebeu que sua cadeia de suprimentos, o ciclo de vida dos produtos e as revendedoras com menor engajamento geram externalidades negativas. No caso das representantes, por exemplo, o impacto está relacionado ao conceito de renda digna, estabelecido como mais de duas vezes o valor do salário mínimo no Brasil. “É um jeito integrado de ver os resultados: sem capacitação e renda digna, não há vendas; sem insumos da Amazônia, não tem Ekos; sem projetos que capturam carbono, temos de pagar mais caro pelo crédito”, afirma Vilas Boas.

Com o número em mãos, o próximo passo é, evidentemente, buscar a melhoria dos indicadores – tanto os que geraram impactos positivos e, principalmente, negativos. Uma das fórmulas de estímulo está ligada às remunerações de curto e longo prazo dos executivos, que estão relacionadas da maior adoção de materiais recicláveis à redução de emissões em toda a cadeia, por exemplo.

Com o processo iniciado em 2010, a Natura adotou modelos que atribuem valor econômico aos impactos em protocolos de World Business Council for Sustainable Development e Capitals Coalition, e da consultoria Valuing Impact.

 

Este texto foi publicado no Broadcast no dia 30/05/22, às 19h00

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